Presidente da Nissan, brasileiro Carlos Ghosn é preso no Japão

A Nissan divulgou comunicado dizendo que conduziu uma investigação interna nos últimos meses sobre a conduta do executivo e o diretor Greg Kelly.
19/11/2018 09h03 - Atualizado em 19/11/2018 11h38
Foto: Reprodução

O presidente da montadora Nissan, o franco-brasileiro de origem libanesa Carlos Ghosn, foi preso nesta segunda-feira no Japão sob suspeita de violações financeiras. A suspeita é de que ele tenha fraudado informações sobre suas receitas.

A Nissan divulgou comunicado dizendo que conduziu uma investigação interna nos últimos meses sobre a conduta do executivo e do diretor Greg Kelly. “A investigação mostrou que durante muitos anos Ghosn e Kelly reportaram valores de compensação nos relatórios da Bolsa de Valores de Tóquio menores que os reais”, disse a montadora, de acordo com jornal The Japan Times. Há ainda indícios de que Ghosn tenha usado bens da companhia em benefício próprio. Investigadores de Tóquio fizeram buscas na sede da companhia.

A Nissan afirma que seu CEO, Hiroto Saikawa, vai propor ao conselho de administração da companhia a imediata retirada de Ghosn dos cargos de presidente e diretor da montadora, assim como de Kelly do cargo de diretor. ” A Nissan lamenta profundamente por ter causado preocupação a nossos acionistas e stakeholders”, disse a montadora em nota reproduzida pelo The Japan Times.

O salário reportado por Ghosn no último ano caiu 33% em relação a 2016, segundo a publicação. Foram 730 milhões de ienes, contra 1,09 bilhão de ienes em 2016 e 1,07 bilhão de ienes em 2015.

A prisão do executivo abalou a indústria automotiva. Visto como exemplo de CEO e dono de uma das carreiras mais brilhantes do mundo dos negócios, ele é o grande responsável pela virada na Nissan nas últimas duas décadas. Há cerca de 20 anos, a montadora cambaleava à beira da falência, e Ghosn foi capaz de conduzir a companhia para fora do buraco.

Nascido no Brasil, o executivo chegou à companhia em 1999 e criou uma aliança com a montadora francesa Renault que ajudou a companhia a virar a página. Depois a aliança incluiu também a Mitsubishi.

Ghosn se tornou presidente da Nissan no ano 2000, quando iniciou uma drástica reestruturação na companhia, o que lhe rendeu a fama de severo cortador de custos. Passou também a negociar pesado com fornecedores de aço, tornando os produtos da Nissan mais competitivos.

Sob seu comando, a aliança entre Nissan, Renault e Mitsubishi tornou-se a maior vendedora de carros do mundo, fazendo frente à rival Volkswagen. A aliança vendeu 5,5 milhões de veículos no mundo nos primeiros seis meses de 2018, segundo o The Japan Times.

Fonte: Exame

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