Presos relatam ameaças de morte e gravam vídeo denunciando direção de cadeia

Na gravação, eles afirmam que decidiram fazer as denúncias porque estão sendo ameaçados de morte por outros detentos e a direção da unidade estaria se omitindo diante do fato.
26/11/2018 13h12 - Atualizado em 26/11/2018 16h49

Foto: Reprodução


Seis presos do Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, gravaram um vídeo com celular denunciando a direção do presídio por diversas irregularidades, incluindo a livre comercialização de drogas no local e o pagamento de propina por detentos para não serem revistados. A Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap) abriu sindicância e afastou o diretor, o subdiretor e o chefe da segurança da unidade para o caso ser investigado.

O vídeo, feito na semana passada, tem pouco mais de 14 minutos e foi enviado pelos presos a familiares. Na gravação, eles afirmam que decidiram fazer as denúncias porque estão sendo ameaçados de morte por outros detentos e a direção da unidade estaria se omitindo diante do fato.

“Aqui rola muito dinheiro, a cadeia é uma empresa, todo mundo ‘rói’ dinheiro aqui. Até os presos estão pagando arrego (propina) para a direção para não ter geral (revista), para eles não perderem drogas que entram pelos funcionários e pela direção”, acusa um dos presos, que se identificou como Rafael Guimarães Montenegro na gravação.

O detento diz ainda que no presídio costumam entrar itens proibidos, como vodca, energético, facas e armas de fogo. Além disso, segundo o grupo, são comuns as festas com a participação dos presos que têm mais dinheiro, que integram a chamada “comissão”:

“É pagode todo domingo. Bebem, fumam, comem, fazem churrasco com guarda do sistema penitenciário”.

Procurado pelo EXTRA, o diretor afastado do Plácido de Sá Carvalho, Luiz Cláudio Carvalho, negou as acusações.

Não tem nada de verdade ali no vídeo. Minha parte já fiz, um registro de ocorrência por calúnia na delegacia. Agora, é deixar a secretaria investigar — afirmou Luiz Cláudio.

Seap: ‘Será apurado com rigor’

A filmagem foi feita dentro da cela onde o grupo está. Os presos afirmam que estão no isolamento da unidade. Cinco aparecem no vídeo e um sexto fez a gravação — a voz do responsável pela filmagem também é ouvida ao longo dos mais de 14 minutos. A maioria dos detentos se identifica, dando seus nomes e os números de suas identidades.

O Plácido de Sá Carvalho, que atualmente abriga 4 mil presos, é chamado de “seguro” do sistema prisional do Rio, que é onde ficam os detentos ameaçados. No vídeo, o grupo afirma que está sendo ameaçado por ter colaborado com a Seap ao longo dos anos, com informações que ajudaram a fazer apreensões dentro das unidades prisionais. “Por termos colaborado com a Seap com essas informações, acabamos nos tornando inimigos da cadeia”, diz um deles.

A Seap informou que os presos que aparecem no vídeo foram ouvidos no último sábado, na sindicância aberta para investigar o caso, e transferidos para outra unidade do sistema prisional.

“Ressaltamos que foi aberto um procedimento de sindicância que vai investigar as possíveis irregularidades por parte de servidores. A Seap salienta que o caso será apurado com rigor”, diz a nota enviada pela assessoria.

Fonte: Jornal Extra

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