Brasília espera triplo de ocupação nos hotéis para a posse presidencial

A tendência é que as vagas sejam preenchidas nos próximos dias.
03/12/2018 14h30 - Atualizado em 3/12/2018 14h30
Foto: Reprodução

A posse do presidente eleito Jair Bolsonaro já movimenta a economia de Brasília (DF). Hotéis, bares e empresas de turismo projetam um bom faturamento. Segundo a regional do Distrito Federal da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), 80% dos leitos disponíveis na capital federal deverão estar ocupados entre os dias 31 e 1º de janeiro, dia em a faixa presidencial mudará de mãos. Nesta época, a média de ocupação costuma ser de 25%, ou seja, espera-se o triplo do movimento normal para esta virada de ano. Até novembro, a cidade já tinha reservado metade dos mais de 18 mil leitos à disposição de turistas, comitivas diplomáticas e apoiadores.

Já tem hotel na região do Lago Paranoá com quase 100% das reservas feitas. A tendência é que as vagas sejam preenchidas nos próximos dias — festejou Adriana Pinto, presidente da ABIH-DF.

As projeções para os lojistas da cidade e o segmento de bares e restaurantes são ainda maiores. A posse está gerando expectativas acima das criadas no período da Copa do Mundo de 2014, que teve jogos disputados no Estádio Mané Garrincha.

Entendemos que vamos terminar este ano com uma movimentação superior à registrada durante a Copa do Mundo. Isso é muito positivo. Os restaurantes estão com uma previsão alta. Para dar números, é difícil, pois não temos reservas, mas a expectativa é grande — disse Rodrigo Freire, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e do Brasília Convention & Visitors Bureau.

Os comerciantes lembram que o público para a posse vai incluir delegações diplomáticas convidadas e apoiadores de Bolsonaro vindos de vários estados. Os preços das hospedagens ainda disponíveis variam de R$ 200 a R$ 900 (a diária).

A última transferência de faixa entre presidentes ocorreu em janeiro de 2011, com Luiz Inácio Lula da Silva entregando o cargo a Dilma Rousseff. Não houve cerimônia entre ela e o atual presidente, Michel Temer, por conta do impeachment.

Sindicatos não demonstram interesse

O interesse de sindicatos de servidores e de centrais de trabalhadores pela cerimônia de posse, em contrapartida, é muito pequeno. Para o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), a preocupação com as intenções do novo governo é maior do que a curiosidade pela solenidade em Brasília.

Confesso que não vejo qualquer movimentação. Até agora, não nos procuraram com o desejo de acompanhar a posse  disse Rudinei Marques, presidente da Fonacate.

A posição é a mesma da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), que já externou sua preocupação com o futuro governo Bolsonaro.

Por outro lado, o interesse dos apoiadores em ir à capital federal fez crescer a procura por passagens de ônibus. A Viação Util, por exemplo, que faz viagens do Rio para Brasília, já computa um aumento de 8% nas vendas de bilhetes rodoviários em comparação com o volume vendido no fim de 2017.

No caso das viações Real Expresso e Rápido Federal, que pertencem ao Grupo Guanabara, há duas viagens diárias saindo de São Paulo e do Rio para a capital federal. Esse fluxo, no entanto, pode aumentar diante do crescimento da procura. A tendência é de um incremento de 15% no número de viagens para atender ao possível crescimento da demanda.

Depoimento – Magda Nassar, vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens

“O ideal é que a pessoa procure uma agência de viagens para se organizar e avaliar opções de hospedagem e traslados, por exemplo. É complicado a pessoa viajar para Brasília sem organizar nada. É muito importante que a agenda seja feita agora. Do contrário, corre-se o risco de não encontrar disponibilidade no hotel que a pessoa gostaria. A parte aérea também tem uma tarifa mais alta, e isso precisa ser avaliado. É fundamental que o interessado planeje seu transporte, sua hospedagem e seu deslocamento pela cidade. A ocupação dos hotéis, na comparação com a média dos últimos anos, está com uma taxa já está bastante elevada, com uma permanência média de até três noites”.

Detalhes do evento

Transferência

A troca de poder acontece desde a década de 1970. Começou ainda nos governos militares. A cerimônia ganhou importância após a redemocratização. Detalhes do evento estão previstos em decreto, mas podem ser adaptados pelo presidente eleito.

Cerimônia

A agenda começa com uma missa na Catedral de Brasília. Em seguida, há a recepção, no Congresso Nacional, dos parlamentares eleitos para o Senado e a Câmara dos Deputados. Por fim, vem a troca da faixa e o discurso à nação.

Público

Nas últimas edições, houve presença do público em espaços reservados na Esplanada dos Ministérios. Comitivas também tiveram uma área reservada.

Dicas parase programar

Hospedagem

Brasília tem em torno de 18 mil leitos. Desse total, cerca de nove mil já estão reservados para a virada do ano e o dia da posse presidencial. A variação de preços vai de R$ 200 a R$ 900, a diária. A indicação é pesquisar, o quanto antes, as opções mais em conta.

Translado

O deslocamento dentro de Brasília é considerado caro. A bandeirada de táxi é de R$ 5,24 (valor de partida). Os quilômetros rodados custam R$ 2,85 (bandeira 1) e R$ 3,66 (bandeira 2). A dica é procurar aluguel de carro ou optar pelo transporte público na capital federal: R$ 2,50 (linhas de ônibus circulares e alimentadoras do BRT), R$ 3,50 (linhas metropolitanas curtas) e R$ 5 (demais e metrô).

Ida de avião

As passagens de avião estão com valores acima de R$ 960 para 31 de dezembro, com volta em 1º de janeiro, partindo do Rio de Janeiro.

Ida de ônibus

As passagens de ônibus ficam mais em conta neste período. A empresa Util, por exemplo, tem passagens entre R$ 180 e R$ 450 (leito e executivo), cada trecho, partindo do Rio, para o período do réveillon. No caso da Viação Kaissara, o valor fica entre R$ 426 e R$ 438 (executivo), cada trecho. A Util informou que bilhetes comprados pelo site são mais baratos do que os adquiridos nos guichês.

Caravanas

A Util informou, também, que oferece descontos maiores para grupos. O contato pode ser feito por meio do e-mail faleconosco@util.com.br. Vale lembrar que, em função das festas de fim de ano, a procura também aumenta e, por isso, quem quiser ir para a capital federal acompanhar a cerimônia deve se antecipar.

Sem pacotes

As agências de turismo informam que pacotes de viagens podem ser adaptados de acordo com a vontade do cliente em acompanhar a posse presidencial. O setor, no entanto, não tem produtos já formatados para quem quer ir ao evento.

Fonte: Jornal Extra

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