Após desertarem, dois membros da Guarda Nacional venezuelana pedem refúgio ao Brasil

Eles participaram da repressão contra manifestantes em Santa Elena, que deixou quatro mortos nos últimos três dias.
24/02/2019 12h24 - Atualizado em 24/02/2019 12h24

Foto: Reprodução


Dois sargentos da Guarda Nacional (GN) venezuelana desertaram na noite deste sábado (23) e solicitaram refúgio em Pacaraima (RR).

Ambos participaram da repressão contra manifestantes na região de Santa Elena, com um saldo de quatro mortos nos últimos três dias.

A informação é da Operação Acolhida, administrada pelo Exército brasileiro que faz a recepção e a triagem dos venezuelanos que cruzam a fronteira fugindo da crise político-econômica. Nenhum dos desertores quis falar com a imprensa.

Segundo a Globo News, os dois entraram no país andando, desarmados, com as mãos para o alto. Em depoimento ao Exército, eles afirmaram que tomaram a decisão de desertar depois do conflito com manifestantes e dos ataques que aconteceram neste sábado (23).

Eles afirmam que existem outros membro da Guarda Nacional que pretendem fazer o mesmo. Depois de passar pelos procedimentos, eles estarão livres para circular no país na condição de refugiados, segundo a emissora.

Depois do confronto de sábado, o Brasil reforçou a segurança na linha fronteiriça.

Homens fortemente armados da Polícia Rodoviária Federal proíbem que veículos estacionem a uma distância de cerca de 50 metros da divisa. As duas camionetes com medicamentos e alimentos não foram autorizadas a sair do Pelotão do Exército.

Do lado venezuelano, a linha de militares com escudos antimotim está mais próxima do Brasil. A estimativa é que mais outros 60 soldados e oficiais de baixa patente tenham desertado, incluindo aqueles que pediram asilo à Colômbia.

Em uma demonstração de força, o regime do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, impediu neste sábado (23) a entrada de toneladas de alimentos, remédios e itens de primeira necessidade enviados pelos EUA pelas fronteiras de Brasil e Colômbia.

Confrontos ocorreram nas fronteiras da Venezuela com os dois países quando caminhões e manifestantes tentaram romper os bloqueios militares para fazer entrar a ajuda humanitária. Segundo Bogotá, os distúrbios deixaram 285 feridos, sendo 255 venezuelanos e 30 colombianos.

À noite, Brasil e Colômbia retornaram os caminhões para seus respectivos territórios. Em Santa Elena, cidade fronteiriça, três morreram neste sábado (23) no hospital da cidade, segundo funcionários de saúde venezuelanos. Outros quatro baleados cruzaram a fronteira e foram enviados a Boa Vista.

Na sexta (22), uma mulher venezuelana já havia morrido em confronto com militares. Já são 13 manifestantes transferidos para o Brasil para atendimento médico.

O confronto entre opositores e militares venezuelanos na linha fronteiriça com o Brasil teve pedras, coquetel molotov, gás lacrimogêneo e ao menos um ferido no final da tarde deste sábado. As forças do regime de Nicolás Maduro reagiram lançando pedras de volta e bombas de gás lacrimogêneo. Houve sons de tiro, mas ninguém foi alvejado. Um manifestante foi socorrido desacordado.

O governo brasileiro condenou na noite de sábado , de forma veemente, o que chama de “atos de violência perpetrados pelo regime ilegítimo do ditador Nicolás Maduro”. Já na fronteira entre Colômbia e Venezuela, dois caminhões colombianos foram queimados em pontes ligando Cúcuta, na Colômbia, a Ureña, na Venezuela.

Eles estavam em uma caravana de quatro veículos, de um total de 14, que tentaram seguir viagem depois que os manifestantes romperam uma barreira da Guarda Nacional Venezuelana.

Em discurso, o ditador venezuelano Nicolás Maduro anunciou o rompimento das relações diplomáticas da Venezuela
com a Colômbia  e deu às representações diplomáticas do país vizinho o prazo de 24 horas para sair. O líder oposicionista Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por cerca de 50 países, pediu à comunidade internacional que “mantenha todas as cartas sobre a mesa ao se referir às opções para resolver a crise em seu país, em discurso na noite deste sábado (23) na Colômbia.

Fonte: Folha de SP

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