Defensoria pública pede cassação do registro de médico que violentou jovem em trabalho de parto

A denúncia da violência obstétrica foi registrada na Polícia Civil na quarta-feira (20).
22/02/2019 14h48 - Atualizado em 22/02/2019 19h02

Foto: Reprodução


Redação AM POST

A Defensoria Pública do Estado (DPE-AM) requereu do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM) nesta sexta-feira (22) a instauração de um Procedimento Ético Disciplinar e a cassação do registro profissional do médico Armando Andrade Araújo, que violentou uma jovem em trabalho de parto dentro da Maternidade Balbina Mestrinho, em Manaus, em maio do ano passado. O ato de violência obstétrica foi registrado em vídeo.

A DPE também pediu, como medida cautelar, que a carteira do profissional seja recolhida. No vídeo que viralizou nas redes sociais o médico obstetra aparece agredindo a parturiente de 16 anos durante parto. O profissional bate com as duas mãos na genitália da vítima.

Para a defensora pública Caroline Souza, titular da 13ª Defensoria Forense Cível e coordenadora da Área Cível da DPE-AM, o pedido é necessário diante do histórico de Armando, que já foi preso na Operação Jaleco, da Polícia Federal, acusado de vender cirurgias na rede pública de ensino.

A denúncia da violência obstétrica foi registrada na Polícia Civil na quarta-feira (20). Esta é a sexta denúncia de violência obstétrica contra o médico, desde 2013. Ao Portal A Crítica, mulheres vítimas do médico Armando Freitas relataram o que sofreram nas mãos do profissional.

“O órgão responsável por cassar o registro profissional dele é o Cremam. O Armando tem uma extensa ficha criminal, com processos em curso e arquivados, envolvendo outras denúncias por violência obstétrica e uma por se recusar a atender paciente com HIV”, destacou a defensora pública Caroline Souza.

DPE investiga mortes em maternidades
A Defensoria Pública também anunciou nesta semana que vai instaurar um Procedimento Administrativo de Apuração de Dano Coletivo (PADAC) para investigar casos em série de violência obstétrica nas maternidades e hospitais públicos e privados no Amazonas. A iniciativa ocorre em função do volume de casos semelhantes recebidos e acompanhados pela DPE-AM, incluindo as mortes de uma mulher de 35 anos e um bebê durante o parto, na Maternidade Balbina Mestrinho, na madrugada de domingo (17), em Manaus.

Ao todo, 35 ações envolvendo exclusivamente casos de violência obstétrica foram ajuizadas pela Defensoria de 2009 a 2018, na esfera cível. Destes, 12 envolvem mortes de gestantes ou bebês. Outros casos estão em fase de análise e reunião de documentação para serem ajuizados. Nas ações, a Defensoria Pública do Estado pede indenização por danos morais e materiais.

Vítimas podem procurar DPE
Mulheres vítimas de violência obstétrica podem procurar a unidade da DPE-AM na Casa da Cidadania, localizada na rua 2, casa 7, no conjunto Celetramazon, bairro Adrianópolis, e também a sede administrativa, que fica na rua Maceió, n° 307, bairro Nossa Senhora das Graças, caso queiram entrar com ação reparatória (indenizatória).

Se for o caso de um ato violento em curso – por exemplo, se a mulher estiver em trabalho de parto e enfrentar obstáculo para conseguir internação – os familiares podem procurar a unidade de Saúde da Defensoria, na rua 24 de Maio, n° 321, no Centro de Manaus. Outra opção é o plantão cível da Defensoria Criminal, na avenida Umberto Calderaro Filho, na Zona Centro-Sul, em frente ao hotel Blue Tree.

*Com informações da Assessoria de Imprensa


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