Jornalistas são retidos em palácio presidencial venezuelano por ordem de Maduro, diz emissora

Presidente não gostou do teor de perguntas feitas pelo jornalista Jorge Ramos, da Univision Noticias. Ele interrompeu gravação, mandou confiscar equipamento e deter equipe.
26/02/2019 11h14 - Atualizado em 26/02/2019 11h14

Foto: reprodução


Seis integrantes de uma equipe da Univision Noticias ficaram retidos por cerca de duas horas no Palácio Miraflores, sede da presidência da Venezuela, na tarde de segunda-feira (25). Segundo a emissora, a maior rede de televisão hispânica dos Estados Unidos, a ordem partiu de Nicolás Maduro. A equipe será deportada nesta terça-feira (26).

O jornalista Jorge Ramos, um âncora veterano nascido no México, disse em entrevista à Univision que perguntou a Maduro sobre a falta de democracia na Venezuela, a tortura de presos políticos e a crise humanitária do país.

Depois de ver um vídeo de jovens venezuelanos comendo restos de alimentos retirados de um caminhão de lixo, o chefe de estado interrompeu a gravação, mandou confiscar o equipamento e deter os profissionais.

Em 2015, Ramos teve problemas com Donald Trump, sendo expulso de uma entrevista coletiva com o então pré-candidato à presidência dos EUA.

Ramos, que já tinha entrado em choque com Trump sobre temas como imigração e deportação, se levantou para fazer uma pergunta e foi ignorado pelo magnata, que cedeu a palavra a outro jornalista. Ele insistiu e Trump se irritou: “desculpe-me, mas o senhor não foi chamado, sente-se”.

“Tenho o direito de fazer uma pergunta”, retrucou Ramos, ao que Trump respondeu: “volte para a Univisión”. Ramos foi então retirado da sala pelos seguranças.

Detenções curtas e deportações se tornaram comuns na Venezuela, especialmente quando repórteres que enfrentam atrasos para conseguir permissões oficiais para trabalhar no país buscam atalhos para exercer a atividade jornalística.

Ao menos sete jornalistas estrangeiros foram presos no país em janeiro depois que o líder da oposição Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino, impondo a Maduro o seu maior desafio político desde que sucedeu a Hugo Chávez no poder.

Grupo de Lima

Representantes do Grupo de Lima pediram nesta segunda-feira (25) soluções pacíficas para a crise humanitária na Venezuela. Em reunião em Bogotá, capital da Colômbia, o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, reforçou apoio ao autoproclamado presidente interino venezuelano, Juan Guaidó, e prometeu novas sanções ao regime de Nicolás Maduro.

No encontro, os países integrantes do Grupo de Lima aceitaram a Venezuela – representada por Guaidó – como novo membro da associação. Entre os participantes da cúpula, estava o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão.

O Grupo também pediu que o Tribunal Penal Internacional “leve em consideração a grave situação humanitária na Venezuela, a violência criminosa do regime de Nicolás Maduro contra civis e negação de acesso a assistência internacional, que constituem um crime contra a humanidade”, segundo uma declaração lida pelo chanceler colombiano, Carlos Holmes Trujillo.

Comparação com a Coreia do Norte

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse nesta segunda-feira (25) que não se pode comparar a ditadura da Coreia do Norte e a situação da Venezuela, país cujo regime, segundo o chanceler, “está oprimindo seu povo de uma maneira brutal, fazendo seu povo passar fome”.

Em entrevista ao repórter Victor Ferreira, da GloboNews, nesta segunda-feira (25) logo após uma reunião na Colômbia para discutir a crise humanitária na Venezuela, Araújo foi questionado se a situação no país asiático não seria semelhante. E respondeu: “Enfim, mas não sei se necessariamente é com esse grau de brutalidade que se viu neste final de semana [na Venezuela]. São situações que não necessariamente se podem comparar”.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, também participou da entrevista. Ele foi perguntado sobre o fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manter diálogo com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong-un, com quem vai se encontrar nesta semana, mas não com Nicolás Maduro, presidente da Venezuela.

“São situações distintas, né? A questão entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte está muito centrada na questão nuclear, uma vez que a Coreia do Norte é uma potência nuclear. O caso da Venezuela é distinto. Não sei se o presidente Trump, em algum momento, gostaria de ter uma conversa com Maduro; e também não sei se o Maduro aceitaria conversar com ele”, disse Mourão.

Desertores do regime

Balanço divulgado pelas autoridades migratórias colombianas nesta segunda-feira (25) informa que 167 militares venezuelanos desertaram e entraram na Colômbia nos últimos dois dias. Somando-os com os sete que desertaram para o Brasil, são pelo menos 174 homens que abandonaram as forças bolivarianas até o momento.

Dados oficiais do governo venezuelano, no entanto, dizem que o efetivo da Força Armada Nacional Bolivariana varia de 95 mil a 150 mil. Ou seja, o percentual de militares que deixaram o país nos últimos dias fica abaixo de 0,2%.

Os números oficiais de efetivos não contabilizam as milícias bolivarianas apoiadas pelo regime de Nicolás Maduro. O presidente chavista tem apoio do alto comando militar, que manifestou repúdio à autodeclaração de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela pouco depois de o oposicionista prestar juramento para o cargo, em 23 de janeiro.

Fonte: G1

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