Pessoas se mobilizam para ajudar família de adolescente que furtou folhas para poder estudar

Após a notícia se espalhar, um grupo no WhatsApp foi criado para arrecadar doações.
14/02/2019 17h05 - Atualizado em 14/02/2019 17h05

Foto: Divulgação


Um aluno de 14 anos da Escola Estadual Marcolino de Barros, em Patos de Minas (MG), a 415 km de Belo Horizonte, foi apreendido em plena sala de aula ontem à tarde após ser acusado de furtar um bloco de folhas de fichário de R$ 8 em uma papelaria próxima do colégio. Quando foi apreendido pelos policiais, o estudante do nono ano já havia utilizado três folhas do bloco.

O pai do garoto está preso, condenado por homicídio, e não paga pensão à mãe, cabeleira de 34 anos, que tem ainda outros três filhos: uma garota de 11, e dois meninos, de 9 e 5 anos.

Vi anoitecer e clarear. Tomei um calmante, mas não consegui dormir nada essa noite“, afirmou a mãe do menino.

Após a mãe ser chamada à delegacia, o menino foi orientado pelos militares a não cometer delitos. Ele se desculpou e depois foi liberado.

“Agora ele está aí, nervoso, sem falar nada e sem saber se volta pra escola. Todo mundo ficou sabendo por causa da internet”, disse a mãe. “Tirei tudo dele. Não vai poder usar celular, televisão, nada dessas coisas que ele gosta“.

A cabeleireira se separou há dez anos do primeiro marido, pai de três dos seus quatro filhos. Casou-se com um servente de pedreiro e se mudou para uma casa nova há sete meses, financiada pela CEF (Caixa Econômica Federal), com prestação mensal de R$ 80. O salário do marido, pai de seu filho caçula, é atualmente de R$ 1.100, o que dá uma renda per capita (por pessoa) para a família de R$ 183.

“Não dá pra tudo. Mas eu não consigo começar a trabalhar, porque a casa é muito pequena. Temos de construir mais um cômodo”, contou ela.

A residência da família, no bairro Pizzolato, tem quatro cômodos: dois quartos, banheiro e sala conjugada com cozinha. “Tive de gastar muito com a construção.

DOAÇÕES
Rapidamente, a notícia do furto se espalhou pelo município mineiro de 150 mil habitantes. E as pessoas se mobilizaram para ajudar a família.

Moradora de Patos de Minas, a engenheira civil Jennifer Magalhães criou um grupo no WhatsApp que, na manhã de hoje, já tinha a adesão de dezenas de pessoas. “Não apoiamos, lógico, o que ele fez. Mas por qual motivo ele fez isso?”, afirmou a engenheira.

“Não vamos mexer com dinheiro, mas material escolar e de higiene. O primeiro objetivo é repassar à família do adolescente, mas como as escolas de Patos de Minas estão precárias, vamos distribuir também a outras escolas que têm alunos em situação de vulnerabilidade social”, disse ela. ”

“São aceitos materiais escolares novos ou usados em bom estado de conservação, e de higiene pessoal, como desodorante, escova, pasta de dente e sabonete.”

“Foi um pesadelo. Foi péssimo. O que ele fez foi muito errado. Mas através desse erro, agora estão vindo as bênçãos: todo mundo querendo ajudar”, declarou a mãe do menino.

Fonte: UOL


*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.


Facebook

Economia

Contato Termos de uso