Atleta do Flamengo que teve quase 40% do corpo queimado em incêndio é transferido para hospital particular

Jhonata é o único sobrevivente da tragédia que ainda segue internado. Ele foi socorrido à época em estado gravíssimo e vinha apresentando melhora progressiva.
03/03/2019 11h39 - Atualizado em 3/03/2019 11h39
Foto: Reprodução

Após quase um mês internado no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Municipal Pedro II, o atleta Jhonata Ventura, de 15 anos, foi transferido para um hospital particular do Rio. O adolescente é um dos sobreviventes do incêndio no Centro de Treinamento do Flamengo que deixou dez mortos. Ele é o único que ainda segue internado.

De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Saúde, Jhonata foi transferido na manhã deste domingo (3) a pedido do Flamengo. Seu estado de saúde no momento da transferência ainda não foi informado.

O incêndio aconteceu na madrugada de 8 de fevereiro, uma sexta-feira, no alojamento destinado a abrigar os atletas do time de base. O fogo teria começado em um aparelho de ar-condicionado enquanto os garotos dormiam. As chamas se alastraram rapidamente, deixando dez mortos e três feridos. O local era alvo de várias multas e pedidos de interdição, o que só foi cumprido 20 dias depois da tragédia.

Jhonata foi socorrido em estado gravíssimo logo após o incêndio e levado para o Hospital Lourenço Jorge. Ele sofreu queimaduras de 1º, 2º e 3º graus em um terço do corpo, além de lesões nos pulmões.

Devido à gravidade do seu quadro clínico, ele foi transferido para o PedRo II, que é referência no tratamento de queimados. Ele passou por pelo menos dois procedimentos cirúrgicos enquanto esteve internado no hospital Pedro II.

Natural de Vila Velha (ES), Jhonata atua como zagueiro no time de base do Flamengo. Antes de ir para a base do Flamengo, ele passou pelo Palmeiras. De acordo com o coordenador de uma escolinha de futebol onde ele treinou no Espírito Santo, ele sempre foi dedicado e sonhava em fazer parte de grandes clubes.

Indenização às vítimas

Na última semana, o Flamengo fez acordo com a primeira família de um dos dez meninos mortos no incêndio ao alojamento do Centro de Treinamento Ninho do Urubu, em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio.

As negociações com as outras famílias estão em andamento, segundo o clube. A identidade dos parentes que fecharam o acordo está sendo mantida sob sigilo por motivos de segurança. Assim como os valores acertado entre o Flamengo e as famílias.

A ideia do clube é negociar cada caso individualmente.

Ninho do Urubu interditado

Também na última semana Prefeitura do Rio decidiu cumprir a interdição do Centro de Treinamento do Flamengo, mais conhecido como Ninho do Urubu.

Na entrada do CT, na Zona Oeste, o documento da prefeitura comprova que a interdição – nunca cumprida – foi determinada em outubro de 2017. No canto, escrita à mão, uma atualização com a data desta quarta-feira (27). Segundo a prefeitura, o clube já tinha sido multado 31 vezes por causa do funcionamento do Ninho do Urubu sem alvará.

O edital diz que o Centro de Treinamento não tem alvará de licença para estabelecimento nem habite-se.

Desde o incêndio, no dia 8 de fevereiro, nenhum atleta do clube vinha dormindo no Ninho. Até a terça-feira (26), o local estava sendo usado apenas para treinamentos.

No último dia 13, a Justiça já tinha proibido a entrada e qualquer atividade de crianças e adolescentes no CT. A Guarda Municipal vai controlar o acesso, que ficou restrito aos funcionários das obras de adequação do Ninho.

Em nota, a prefeitura diz que as portas foram lacradas e assim devem permanecer até que sejam regularizadas as pendências urbanísticas e fiscais do estabelecimento.

Por causa da interdição, a programação do Departamento de Futebol precisou mudar na véspera do jogo contra a Portuguesa. O treino foi transferido para a sede da Gávea, na Zona Sul da cidade, onde o time profissional deixou de treinar regularmente em 2010.

Fonte: G1

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