Seguidores de Juan Guaidó aguardam seu retorno à Venezuela, entre medo e esperança

O líder da oposição venezuelana é esperado por seus seguidores com receio de ser preso por contornar a proibição de sair do país.
02/03/2019 14h03 - Atualizado em 2/03/2019 18h50
Foto: Reprodução

AFP

O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, em viagem pela América do Sul, é esperado por seus seguidores na Venezuela, com receio de ser preso por contornar a proibição de sair do país e pelo desejo de continuar a ofensiva para tirar Nicolás Maduro do poder.

Seu retorno, possivelmente na segunda-feira, após visitar Colômbia, Brasil, Paraguai, Argentina e Equador, é um desafio para Maduro, que deve decidir se vai prendê-lo e provocar uma forte reação internacional ou deixá-lo entrar no país com tranquilidade, minando sua autoridade.

“Por um lado, temo que ele retorne e o coloquem na prisão e teremos outro Leopoldo (López). Mas, por outro, quero que ele volte com a esperança de que o país mude”, disse à AFP Iskia Urdaneta, uma advogada de 37 anos, em referência ao mentor de Guaidó, que cumpre uma pena de quase 14 anos, atualmente em prisão domiciliar.

Reconhecido por mais de 50 países como presidente interino, Guaidó deixou a Venezuela inesperadamente há 10 dias para assistir a um mega-concerto na cidade fronteiriça colombiana de Cúcuta e apoiar a entrada de ajuda humanitária. Ele prometeu retornar, “apesar das ameaças”, para continuar com sua estratégia de conseguir um governo de transição e eleições “livres”.

“Ele vem com mais apoio internacional, apoiado pelos Estados Unidos e sua ameaça de agir mais fortemente se o tocarem, mas corre o risco de ser preso ou ter sua integridade física agredida”, disse à AFP o cientista político Luis Salamanca.

Os Estados Unidos, que não descartam uma opção militar na Venezuela, alertaram que, se algo acontecer a Guaidó, haverá “sérias consequências”.

“O governo terá que avaliar os custos e isso dependerá da credibilidade dos Estados Unidos em dar um passo além da retórica”, disse Felix Seijas, do escritório Delphos, à AFP.

Vencer o medo
Maduro disse há poucos dias que Guaidó, chefe do parlamento de maioria opositora, deveria “respeitar a lei” e que, se voltar ao país, “terá que ver a face da justiça”.

A Suprema Corte de Justiça (TSJ) e a Procuradoria-Geral, aliadas do governo, abriram investigações contra Guaidó, acusando-o de “usurpação” de funções e determinaram, além do impedimento de saída, o congelamento de seus bens. No entanto, até agora ele não foi formalmente acusado.

“Sua vida corre perigo porque não há Estado de direito neste país, mas Maduro não é um bruto, ele sabe que está cercado. Guaidó não está sozinho, ele tem apoio internacional, embora não queiramos uma intervenção militar”, disse Solibet Hernández, um comerciante de 46 anos, à AFP.

Para Luis Quintero, um professor de 64 anos que é um seguidor de Maduro, o opositor “deveria ter uma ordem de detenção e deverá responder em juízo assim que pisar em território venezuelano”.

“É hora de vencer o medo. Seu retorno será uma etapa crucial na mudança que está chegando, Guaidó representa a esperança, e qualquer ação tomada contra ele pode ter sérias consequências para a ditadura”, disse Mauricio Marcano, 32, à AFP.

Da ilusão à frustração
Guaidó, de 35 anos, se autoproclamou presidente em 23 de janeiro após o Congresso ter declarado Maduro “usurpador” por ter assumido em 10 de janeiro um segundo mandato que, como grande parte da comunidade internacional, considera ilegítimo e resultado de uma reeleição “fraudulenta”.

“Se ele não retornar, a ‘causa’ opositora sofreria um grande revés que teria que ser resolvido com grande habilidade. A capacidade de Guaidó de agir internamente é reduzida a convocação de concentrações e logo não haverá ‘material’ para manter esse espírito”, adverte Seijas.

Daniel Acosta, estudante universitário de 24 anos, diz acreditar “no que Guaidó está fazendo”, mas reconheceu que “se ele não vier, será uma nova frustração” para muitos.

Guaidó, que Maduro acusa de ser um fantoche dos Estados Unidos, foi detido em 13 de janeiro por quase uma hora pelo serviço de inteligência, episódio condenado por vários países e do qual o governo se distanciou, assegurando que os agentes agiram unilateralmente.


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