Diego Hypolito faz desabafo sobre sua sexualidade: “Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou”

Em entrevista ao site “UOL” ele fez grandes revelações.
08/05/2019 18h43 - Atualizado em 8/05/2019 18h43
Foto: Reprodução

“Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou. Eu sou gay”. Aos 32 anos, o ginasta Diego Hypolito, dono de uma das carreiras mais vitoriosas da modalidade no país, inclusive tendo conquistado uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, decidiu falar pela primeira vez sobre sua sexualidade. Em uma entrevista ao site “UOL”, o atleta de Santo André se abriu sobre sua homossexualidade. Mas mais do que isso. Diego contou como sofreu, sobretudo, com a “solidão de não ter com quem compartilhar os dilemas de uma pessoa gay em uma sociedade preconceituosa”, como ele próprio disse.

“Eu tinha o sonho de conseguir uma medalha olímpica e faria de tudo para chegar lá, até esconder quem eu era. Eu tinha certeza que se um dia eu saísse do armário publicamente, perderia patrocínios e minha carreira seria prejudicada”, explicou.

“Por mais que todo mundo tenha a impressão de que tem muito gay na ginástica, não tem” e relembrou, “Já me prenderam em um equipamento de treino apelidado de “caixão da morte”, já me fizeram segurar uma pilha com o ânus e já me deixaram pelado, junto com outros dois atletas, para escrever no nosso peito a frase “Eu”, “sou”, “gay”. Uma palavra em cada um para nos humilhar”, contou.

Revelação para a família
“Fui criado na igreja, tenho uma tatuagem de Jesus crucificado no braço, até hoje frequento cultos da Bola de Neve todas as quintas-feiras. Eu tinha vergonha porque na minha cabeça ser gay era ser um demônio, um ser amaldiçoado que vive em pecado. Quando eu tinha uns dez anos, um treinador foi dizer para a minha mãe que ela devia mudar minha educação para que eu não virasse gay. Ela veio falar comigo, preocupada. Eu era muito inocente, nem sabia o que era isso. Mas isso me marcou”, contou o atleta.

“Quando passei a entender melhor a minha sexualidade, meu maior problema sempre foi como iria contar para a minha família. As pessoas não sabem, mas a gente tinha uma origem humilde, do interior e religiosa. Eles nunca entenderiam. A gente passava por tanta dificuldade em casa… nem sempre tinha o que comer, chegamos a ficar meses sem energia elétrica. Como é que eu ia levar mais um problema para eles?”, explicou o atleta.

Diego contou que estava se preparando para o Mundial da China, em 2014, quando tomou coragem para a mãe. “Não tinha coragem de falar por telefone, então, de novo, escrevi uma mensagem. Disse que a amava muito, que esperava que isso não fosse mudar a nossa relação, porque eu continuaria a amando da mesma maneira. Eu era gay. E não um demônio. Essa coisa de ser um demônio não saía da minha cabeça”, disse o atleta.

“Ela ficou um tempo sem responder e quando respondeu não foi muito gentil. Sendo eu o filho mais próximo, deve ter sido muito difícil para ela também. Eu estava com muita vergonha de encarar a minha família. Eu me afastei deles por quase um ano, cheguei a perder um Natal por causa desse clima ruim. Meu pai reagiu melhor e a Daniele me apoiou incondicionalmente, disse que sempre soube mesmo sem eu nunca ter falado nada”, contou Hypolito.

O atleta contou ainda que foram muitos anos e muita terapia, além da proximidade com outras pessoas gays, para que ele tivesse coragem de falar abertamente sobre a sua sexualidade.

“Quero que as pessoas saibam que eu sou gay e que eu não tenho vergonha disso”.

Sei que pode ter gente que vai deixar de gostar de mim depois de conhecer a minha história, sei que no culto posso viver situações de preconceito, sei que vir a público e falar tudo isso pode irritar algumas pessoas. Ninguém é obrigado a entender nada, mas é obrigado a respeitar. Nunca mais vou deixar de viver o que eu sou. Eu sou gay”, contou Diego Hypolito.


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