ONU diz que ‘Governo Maduro foi responsável por 80% das mortes em protestos na Venezuela’

A oposição denuncia a atuação do Faes como um “esquadrão da morte”. Segundo o documento, esse órgão foi responsável pela morte de 5.287 pessoas no ano passado.
05/07/2019 10h32 - Atualizado em 5/07/2019 11h43
Foto: Reprodução

O Comitê de Direitos Humanos da ONU divulgou um relatório nesta quinta-feira (4) que aponta violações feitas pelo governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Segundo a Alta Comissária, Michelle Bachelet, desde janeiro foram registradas 66 mortes nos protestos contra o ditador. Destas, 52 foram cometidas por forças do governo e milícias leais ao chavismo.

O relatório vê com especial preocupação a atuação da Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (Faes), criada por Maduro para “combater o crime e o terrorismo”. A oposição denuncia a atuação do Faes como um “esquadrão da morte”.

Segundo o documento, esse órgão foi responsável pela morte de 5.287 pessoas no ano passado, em casos apresentados como resistência à ação policial. Em 2019, até maio, foram mais de 1,5 mil mortes por agentes da Faes. Em muitos casos, drogas são plantadas nas vítimas para forjar uma denúncia por narcotráfico.

O relatório ainda afirma que 793 pessoas foram presas por se opor ao regime chavista, sendo 22 delas parlamentares de oposição.

“Poucas pessoas recorrem à Justiça por medo de retaliação ou por desconfiança nas instituições”, diz o texto. “A Procuradoria se omite na obrigação de apresentar denúncias contra esses criminosos e a controladoria da república se omite perante as violações de direitos humanos.”

O relatório de Bachelet diz ainda que, em média, os venezuelanos – especialmente mulheres – ficam dez horas em filas esperando por alimentos. O documento também denunciou a morte de 157 pessoas por faltas de insumos médicos no país em 2019.

Fonte: Estadão Conteúdo


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