“Para essa gente, a vida de um rapaz que sequestra um ônibus com uma arma de brinquedo não é nada”, diz Jean Wyllys

O ex-deputado analisou assassinato do homem que manteve reféns, em um ônibus no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (20).
20/08/2019 14h52 - Atualizado em 20/08/2019 14h52

Foto: Reprodução


O ex-deputado federal pelo PSOL, Jean Wyllys, postou uma sequência de tuites para analisar o assassinato do homem que manteve reféns, em um ônibus no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (20). O sequestrador, que estava usando uma arma de brinquedo, foi morto pela ação de snipers, o que levou à comemoração do governador Wilson Witzel.

Wyllys criticou a política de segurança pública adotada no Rio, no momento em que são denunciados os assassinatos de vários jovens, de origem humilde e negros, em sua maioria, pela truculenta da polícia de Witzel.

“O sequestro de ônibus feito por um homem com uma arma de brinquedo me parece o golpe de marketing perfeito para reabilitar a imagem e a popularidade de um governador abaladas por assassinatos de inocentes nas ações de sua polícia nas favelas”.

“Parece-me igualmente providencial ao golpe de marketing pra reabilitar imagem e popularidade de governador abaladas por assassinatos de jovens inocentes das favelas que o sequestrador de ônibus com arma de brinquedo tenha perfil social parecido com o dos inocentes assassinados”.

“E quando sabemos que essa história já ocorreu uma vez – inclusive foi transformada em documentário que deu fama e dinheiro a um cineasta – aí que o episódio se parece ainda mais com um golpe de marketing para reabilitar imagem e popularidade abaladas de governador truculento”.

“O pior da questão não é o uso do episódio, pelo governador e sua gente, para reabilitar sua imagem e popularidade abaladas por assassinatos de inocentes praticados por sua política ‘de segurança’. É usá-la para ‘justificar’ o extermínio num país onde pena de morte é ilegal”.

“E nunca se deve esquecer que esse governador e sua gente quebraram em público uma placa em homenagem a uma vereadora assassinada por milícias saídas dessa mesma polícia que vem matando inocentes na favela com a desculpa da ‘guerra contra as drogas’”.

“Para essa gente, a vida de um rapaz que sequestra um ônibus com uma arma de brinquedo não é nada. Eu só espero que a parte da classe média que agora lhe aplaude se lembre de que a violação do Estado de Direito não costuma ter limite quando desencadeada”.

“Os filhos dos que agora aplaudem essa ação da polícia – matar um sequestrador com arma de brinquedo num momento em que as ações dessa polícia estavam sendo contestadas – podem ser as próximas vítimas na hora de comprar as drogas ilícitas para a recreação do fim de semana”.

Fonte: Forum


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