Brasileiras viram escravas sexuais na Coreia do Sul após serem enganadas com ideia de se tornarem artistas de K-pop

Os suspeitos entraram em contato com as vítimas pelas redes sociais em julho. As brasileiras se interessavam pela cultura pop coreana.
05/09/2019 16h07 - Atualizado em 5/09/2019 18h10

Foto: Reprodução


ESTADÃO CONTEÚDO

O Ministério das Relações Exteriores confirmou que sete mulheres brasileiras foram vítimas de tráfico sexual na Coreia do Sul. Cinco homens foram presos no domingo, suspeitos de prostituí-las, depois de convencê-las a viajar para o país asiático com a promessa de que poderiam se tornar artistas de K-pop – expressão que designa a música pop sul-coreana.

O Itamaraty informou, em nota, que acompanha o caso por meio da embaixada brasileira em Seul e presta assessoria consular às vítimas. De acordo com o jornal The Korea Times, os suspeitos entraram em contato com as vítimas pelas redes sociais em julho. As brasileiras – a maioria delas entre 20 e 30 anos – se interessavam pela cultura pop coreana.

Para convencer as brasileiras a viajar para a Coreia do Sul, os homens prometeram ajudá-las a se tornarem artistas ou modelos e forneceram passagens de avião de ida e volta gratuitamente. As vítimas foram para a Coreia em meados de julho.

Ainda segundo o jornal, depois da chegada das brasileiras ao país asiático, os suspeitos confiscaram os passaportes delas, confinaram as vítimas em alojamentos das cidades de Goyang e Paju, na província de Gyeonggi, e cancelaram os voos de volta ao Brasil. Em seguida, os homens “venderam” as vítimas a casas de prostituição pelo valor de 2 milhões de wons por mulher, o equivalente a cerca de R$ 6.800. Os homens passaram, então, a ameaçá-las e disseram que elas teriam de trabalhar para pagar o custo das passagens aéreas. Eles também declararam que as vítimas seriam acusadas de prostituição, caso denunciassem o caso à polícia.

De acordo com The Korea Times, as mulheres aproveitaram um descuido dos homens que as vigiavam e conseguiram entrar em contato com a embaixada brasileira em Seul no dia 17. Depois de ouvir a embaixada, a polícia local fez uma operação de resgate e as libertou.

As vítimas foram levadas a abrigos de proteção para mulheres imigrantes, e os homens foram presos acusados de cárcere privado, tráfico humano e exploração sexual.

Nos últimos meses, escândalos sexuais têm abalado o universo do K-pop, força motriz da exportação musical sul-coreana. Alguns dos grandes nomes dessa indústria foram acusados nos últimos meses de drogarem e estuprarem mulheres e administrarem uma ampla rede de prostituição. Eles negam as acusações.


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