16/12/2015 13h10 - Updated 16/12/2015 13h10

Brasil perde selo do bom pagador pela 2ª vez

A nota continua com perspectiva negativa, o que deixa a porta aberta para novos cortes.
Photo: Matt Lloyd/Bloomberg
Photo: Matt Lloyd/Bloomberg

A agência de classificação de risco Fitch Ratings cortou hoje a nota do Brasil de BBB- para BB+, o que significa perda do selo de bom pagador.

A nota continua com perspectiva negativa, o que deixa a porta aberta para novos cortes.

É a segunda agência que rebaixa a nota de crédito da dívida do país para grau especulativo este ano, depois da Standard & Poor’s em setembro.

O Ibovespa já estava caindo e ampliou as perdas, enquanto o dólar subia mais de 2% cotado a R$ 3,95. A decisão era esperada pelo mercado, mas deve significar retirada de recursos do país.

Parte dos fundos de investimento internacionais exige o selo de bom pagador de pelo menos duas das três grandes agências para direcionar seus recursos.

O Brasil ainda é grau de investimento pela Moody’s, mas a nota está apenas um degrau acima do nível especulativo e foi colocada em revisão há uma semana.

O mercado amanheceu turbulento por vários fatores, entre elas o envio ontem pelo governo de alteração da meta fiscal de 2016 from 0,7% for 0,5%, com possibilidade de abater investimentos, o que na prática permitiria um superávit zero.

A decisão é uma derrota do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que se disseligeiramente ofuscado”. Uma reportagem do jornal Valor Econômico afirma que ele já acertou sua saída do governo, o que também desanimou o mercado.

Na tarde de hoje, Levy permaneceu em silêncio ao ser questionado se permanece no cargo. Disse que o rebaixamento é sério e indica que nem tudo que precisa ser feitoestá sendo feito no passo necessário”.

Também pesa a perspectiva generalizada de que o Federal Reserve, banco central americano, vai aumentar os juros pela primeira vez desde 2006, o que prejudica o fluxo de recursos para países emergentes. A decisão será anunciada às 17h (Brasilia time).

Segundo a Fitch, o rebaixamento reflete uma recessão maior do que a esperada, desenvolvimentos fiscais adversos e o aumento da incerteza política.

O comunicado cita o aumento no desemprego, o aperto no crédito, a confiança deprimida e a alta da inflação como fatores que prejudicam o consumo.

Ele também cita as incertezas políticas, os problemas da construção civil e os efeitos das investigações da Lava Jato como fatores que afetam o investimento dentro de um cenário externo que continua difícil.

A previsão da agência é de queda do PIB de 3,7% in 2015 e 2,5% in 2016, com possibilidade de déficit fiscal acima de 10% neste ano e em média acima de 7% in 2016 e 2017.

O comunicado também diz queas repetidas mudanças nas metas fiscais minaram a credibilidade da política fiscal” and that “o início recente de procedimentos de impeachment contra a presidente Rousseff está aumentando a incerteza em um ambiente político já difícil e levando a continuidade do impasse político”.

O Ministério da Fazenda lançou nota em quereitera a confiança na capacidade da economia brasileira de retomar um ciclo de crescimentoe diz que o governo e o ministérioestão engajados em atacar os desequilíbrios fiscais existentes, buscando um orçamento 2016 robusto que proporcione sustentabilidade à dívida pública”.

O Banco Central disse queo Brasil possui robustos colchões de liquidez para atenuar ajustes nos preços de ativos e para mitigar excessiva volatilidade no mercado” and that “esses colchões garantem uma sólida posição de liquidez internacional, visto que as reservas internacionais do país são cerca de dez vezes maiores que o estoque da divida soberana externa”.

Source: Exame.com

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