Collor gastó R $ 3 callos, pero declaró salario de solamente’ R $ 700 mil, dice PF

O gasto foi com cartões de créditos entre 2011 mi 2013.
20/11/2015 13h36 - Actualizado 22/11/2015 10h25
foto: Cristiano Mariz / SEE

Os gastos do senador Fernando Collor (PTB-AL) com cartão de crédito entre 2011 mi 2013 foram considerados incompatíveis com a renda declarada por ele à Receita Federal, segundo laudo da Polícia Federal que analisou os rendimentos do parlamentar no período. el informe 1480 foi finalizado no último 25 septiembre. No período investigado de dois anos, as faturas de três cartões de crédito do senador somaram pouco mais de 3 millones de reales, enquanto que seu rendimento declarado, basicamente o salário de senador em todo o período, foi cerca de 700.000 real, já considerados os descontos.

O laudo pericial foi anexado ao inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga o senador por suspeita de receber propina do esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava Jato. “A movimentação com cartão é incompatível com os rendimentos declarados”, afirma o documento.

As investigações revelaram que o senador gastou quase cinco vezes mais do que declarou ter recebido para pagar a fatura do cartão de crédito entre 2011 mi 2013. Embora seja sócio das empresas Água Branca Participações, TV Gazeta e Gazeta de Alagoas, o senador só incluiu nas declarações de imposto de renda do período investigado os rendimentos do Senado.

Após deixar a presidência da República, Collor voltou à política em 2007 quando foi eleito para um primeiro mandato de oito anos e reeleito em 2015. O laudo também aponta ummontante expressivode empréstimos contraídos pelo senador junto à TV Gazeta de Alagoas no período analisado que ajudaram o petebista a justificar seu crescimento patrimonial.

Se não tivesse o empréstimo, o crescimento patrimonial seria incompatível. Há indícios de empréstimos fictícios”, concluíram os policiais. Os peritos também consideraramdesproporcionalo fato de Collor ter apenas 12,28% da TV para contrair os empréstimos milionários.

Em apenas um dos anos investigado, um deles correspondeu a 110 vezes o patrimônio do senador. A Polícia Federal fez ainda um segundo laudo sobre as contas do senador Fernando Collor para a investigação da Lava Jato. Finalizado em 6 Octubre de este año, o laudo 1547 reforça as suspeitas sobre os repasses da TV Gazeta Alagoas para Collor.

Os investigadores também descobriram que os valores eram sequenciamente depositados na conta da TV e no mesmo dia eram repassados para duas contas bancárias da firma e depois transferidos para contas de Collor, integralmente ou em parte. Reportagem do jornal Folha de S. Paulo revelou nesta quinta-feira que parte do dinheiro foi usado por Collor para pagar prestações de carros de luxo apreendidos pela PF e já liberados.

No período investigado nesse laudo, de 2011 un 2014, Collor declarou a compra de carros como Cadilac SRX, Hyundai Azera, Honda Acoord, Land Rover, Hyundai Vera Cruz, Toyota Hilux. Na mesma época, ele declarou a venda da Ferrari S-43, Maserati, Toyota Hilux e Hyundai Azera. O laudo identificou ainda 469 depósitos na conta do senador de 2.000 reais feitos em 33 datas de 2011 un 2014, totalizando 938.000 reales e 46 depósitos de 1.500 reais num total de 69.000 real. As repetições, segundo o entendimento do Banco Central, podem indicar lavagem de dinheiro.

Os policiais identificaram que um assessor de Collor no Senado fez depósito numa conta que depois foi transferido para o senador. Num mesmo dia também foram feitos quatro depósitos num intervalo de quatro minutos. O mesmo laudo também confirma informação de Rafael Ângulo, funcionário do doleiro Alberto Youssef que atuava na entrega de dinheiro do esquema, de que ele viajou para Maceió e era recebido no aeroporto por um diretor da TV Gazeta de Alagoas.

O advogado de Collor foi procurado pela reportagem pelo celular e por meio de mensagem, mas não ligou de volta. A defesa tem negado qualquer envolvimento do senador com o esquema da Lava Jato. O advogado Fernando Neves, que representa o senador, dijo “não pode comentar sobre esse assunto porque os processos correm em segredo de Justiça”.

fuente: Veja.com


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