Acidente com vítimas fatais em Manaus reacende discussão na Câmara sobre a saída do Aeroclube do bairro de Flores

Os vereadores manifestaram insatisfação com a manutenção do Aeroclube nessa área da cidade, sob a justificativa do perigo para os moradores.
07/12/2016 14h59 - Actualizado 8/12/2016 11h55

Foto: reproducción


A queda de uma aeronave de pequeno porte em área de floresta, na Zona Centro-Sul de Manaus, nesta quarta-feira (7), ao decolar com destino ao município de Novo Aripuanã (a 227 quilômetros de Manaus), que deixou cinco vítimas fatais, reacendeu, entre os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), a discussão sobre a necessidade de transferência do Aeroclube de Manaus, localizado no bairro de Flores, zona Centro-Sul da capital.

Além de lamentar a tragédia, fazer um minuto de silêncio em memória às vítimas e solidarizar-se com os familiares, entre eles do geólogo Fred Cruz, ex-secretário de Meio Ambiente do município de Presidente Figueiredo (a 130 quilômetros de Manaus), que está entre as vítimas, os vereadores manifestaram insatisfação com a manutenção do Aeroclube nessa área da cidade, sob a justificativa do perigo para os moradores de uma das áreas populosas de Manaus.

O vereador Álvaro Campelo (PP), o primeiro a se pronunciar sobre o caso, lamentou a queda do avião e focou seu pronunciamento no pedido às autoridades para que o Aeroclube seja retirado do local. “Não é possível em um curto espaço de tempo tantos acidentes dessa natureza ocorrerem no local. Nem autoridades ainda sabem se falha humana ou mecânica”, disse ele, transmitindo sentimento de tristeza e solidariedade às famílias dos que se acidentaram. “Mas é necessária retirada do Aeroclube daquela área para evitar uma tragédia maior, com mais vítimas”, argumentou.

O vereador Luiz Alberto Carijó (PSDB) lembrou de alguns acidentes desde 2010 (a queda de um táxi aéreo fretado pela Secretaria de Educação do Governo do Amazonas – Seduc, que deixou seis mortos e outro em 2012, perto da avenida Torquato Tapajós). Um desses acidentes, segundo o vereador, por pouco não atingiu um prédio, na Estrada dos Franceses, e matou o piloto, um passageiro e um transeunte.

Segundo o vereador, quando presidiu a Câmara, fizeram um levantamento sobre a situação e chegaram à conclusão de que esse aeródromo era totalmente inadequado, vai contra o Código de Obras e Postura, agora modificado, tornando a área proibida para esse tipo de atividade. “O Aeroclube está irregular no local. Naquela época notificamos à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), responsável pela área. Naquela época, também, já existia um projeto para a construção do aeroclube no município de Iranduba”, afirmou Carijó, que disse temer um acidente de grandes proporções no local. “É inadequado para o local, o município tem que tomar uma decisão, não pode ficar como está. É uma omissão criminosa”, lamentou.

O vereador Plínio Valério (PSDB) disse que, quando deputado federal, foi relator da subcomissão da Aviação Civil e fizeram um relatório a partir de relatos dos especialistas, quando tomou conhecimento sobre a aviação na Amazônia e até tomou a decisão de não mais decolar do Aeroclube de Manaus. “A Aeronáutica tem intenção de alienar o aeródromo”, afirmou. Segundo ele, o contrato do aeródromo foi renovado por 15 anos e só encerra em 2018. “Como representantes do povo temos que fazer pressão e suspender esse contrato. É perigoso o aeródromo no local. O Aeroclube tem que sair dali”, enfatizou ele, lamentando a morte do amigo Fred Cruz.

Sildomar Abtibol (PROS) também lamentou o acidente e fez um apelo a uma grande reflexão sobre a vida, à família e à morte, enumerando acidentes recentes na aviação, como com o avião que transportava o time da Chapecoense e jornalistas, o helicóptero que caiu com a noiva que iria casar e fazer uma surpresa no seu casamento e o avião que transportava a apresentadora Xuxa Meneghel e que passou por um sufoco no voo com a carga de um raio.

Além de lamentar a tragédia, o vereador Elias Emanuel (PSDB) considerou a morte do geólogo Fred Cruz uma perda imensurável. “Desconheço alguém que conhecia tanto a malha da riqueza geológica amazonense como Fred Cruz. Um geólogo de primeira grandeza. Essa é uma das grandes ironias da vida. Uma grande personalidade”, frisou o vereador, ao explicar que conviveu com o geólogo quando ele foi secretário de Meio Ambiente de Figueiredo Figueiredo. Lamento muito”, salientou.


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