• PSL oficializa candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, mas adia definição de vice

    Convidada para posto, advogada Janaina Paschoal diz não ser possível ‘tomar decisão em dois dias’.
    23/07/2018 14h54 - Atualizado em 23/07/2018 19h08

    Foto: reprodução


    Foi confirmado, na tarde deste domingo (22), o nome do deputado federal Jair Bolsonaro, de 63 anos, como candidato do Partido Social Liberal (PSL) à Presidência da República nas Eleições 2018.

    Bolsonaro foi escolhido por aclamação de correligionários no encontro nacional da legenda, que ocorreu no Rio de Janeiro.

    O partido adiou a escolha do vice. Segundo comunicado durante a convenção, o partido irá definir o nome até 5 de agosto.

    A advogada Janaina Paschoal (PSL), cotada para o cargo, participou da convenção, mas disse que ainda está “dialogando” com a campanha do presidenciável. Além da advogada, Jair Bolsonaro foi acompanhado pelos filhos Carlos, Eduardo e Flávio.

    Em entrevista coletiva após a convenção nacional do PSL, Jair Bolsonaro voltou a falar que o nome do candidato a vice deve sair do próprio partido.

    “Não deu certo com Magno Malta nem com o general Heleno. A Janaina Paschoal foi contatada há pouco tempo e precisa de um tempo para decidir. Ela tem família, filhos em São Paulo e ser vice causaria uma mudança grande. O certo é que dificilmente será alguém de fora do partido. A nossa lagoa é pequena mas é boa”, disse.

    Entre as propostas do candidato estão a privatização de estatais. Segundo ele, ficariam só umas 150 em setores estratégicos e ministérios seriam fundidos.

    “Começaria extinguindo o Ministério das Cidades. O dinheiro tem de ir direto para municípios e estados. Juntaria a Fazenda com Planejamento, Meio Ambiente com Turismo”, disse Bolsonaro que também pretende acabar com a indústria das multas nas estradas, que segundo ele emperra o turismo, e no campo, no que se refere ao trabalho análogo à escravidão, que deixa o homem do campo assombrado com a atuação do MST.

    Bolsonaro chegou ao Centro de Convenções Sulamérica, na Cidade Nova, Centro do Rio, acompanhado pelo senador do Partido da República Magno Malta (PR) e pelo general da reserva Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército.

    Em seu discurso, Bolsonaro agradeceu a Deus, citou a Bíblia e destacou que, embora o PSL não seja um partido considerado grande, a legenda conta com apoio do “povo brasileiro”, e que o “Brasil não aguenta mais 4 anos de PT ou PSDB”.

    “A partir desse momento, da confirmação da minha candidatura, passa a ser uma missão. Se estou aqui, é porque acredito em vocês. Se vocês estão aqui, é porque acreditam no Brasil. Não temos um grande partido, não temos fundo eleitoral, não temos tempo de televisão. Mas temos o que os outros não têm, que são vocês, o povo brasileiro.”

    O candidato aproveitou para atacar o pré-candidato à Presidência Geraldo Alckmin, do PSDB. O candidato do PSL se referiu a suposta aliança de Alckmin com o “centrão” do Congresso, classificado pelo presidenciável como “a escória da política brasileira.

    O presidenciável do PSL, entretanto, acenou aos integrantes do Centrão. “”No mínimo, 40% desses deputados, estão conosco, e não concordam com as decisões tomadas por essas lideranças”, afirmou.

    Antes do encontro, o presidente do PSL em São Paulo, Major Olímpio, declarou que Bolsonaro é “a grande força geradora de votos do partido”. Outros representantes são, segundo ele, “figurantes”. “A grande força geradora de votos do partido é o Bolsonaro. Qualquer outro filiado é figuração”, disse.

    Janaína Paschoal
    Janaína que estva sentada à mesa do evento, ao lado de Bolsonaro, do senador Magno Malta (PR-ES) e de outras lideranças do PSL. Em discurso, ressaltou que ainda está dialogando com o presidenciável.

    “Fico muito honrada com convite do senhor Jair Bolsonaro para integrar a chapa. Inciamos um diálogo bastante profícuo e entendemos que, para uma parceria de quatro anos, esse diálogo precisa ser mais pormenorizado. Não é possível tomar decisão em dois dias. Estamos dialogando” afirmou Janaína.

    No discurso que esfriou os ânimos do público presente, a advogada Janaína Paschoal criticou ainda o que chamou de “pensamento único” de parte dos aliados deputado. Segundo ela, que criticou o “totalitarismo” do PT, há possibilidade de o PSL se transformar em um “PT ao contrário”.

    “Não se ganha a eleição com pensamento único. Não se governa uma nação com pensamento único. Essa parte é muito importante: os seguidores, muitas vezes, do deputado Jair Bolsonaro têm uma ânsia de ouvirem um discurso uniformizado. Pessoas só são aceitas quando pensam exatamente igual nas mesmas coisas. Reflitam se nós não estamos correndo risco de fazer um PT ao contrário. Minha fidelidade não é ao deputado Jair Bolsonaro, a quem externo todo meu respeito, a minha fidelidade é ao meu país”.

    Nos últimos dias, Janaína, que se tornou conhecida durante o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, já vinha publicando mensagens no Twitter indicando que levaria mais tempo para tomar a decisão. A advogada foi saudada aos gritos de “vice” quando foi anunciada no palco, mas começou o discurso pedindo que o público não aplaudisse ou gritasse – “quero conversar com os senhores”, anunciou.


    *** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.


    Facebook

    Economia

    Contato Termos de uso