David Almeida nega desinteresse da Aleam por CPI na Saúde e promete concursos com mais de 5 mil vagas

Candidato foi entrevistado na CBN Amazônia na sabatina com candidatos ao Governo do Amazonas.
27/09/2018 13h35 - Atualizado em 27/09/2018 13h35

Foto: divulgação


O candidato ao governo David Almeida (PSB) participou de entrevista na CBN Amazônia, nesta quarta-feira (26). Ele foi o terceiro a participar da série de entrevistas com jornalistas do Grupo Rede Amazônica. Durante 45 minutos o candidato respondeu a perguntas na sabatina. Almeida disse que não cabia à Assembleia Legislativa fazer CPI para investigar desvio de recursos da saúde e prometeu fazer concursos públicos com mais de 5 mil vagas para segurança e sistema prisional. Veja entrevista na íntegra no vídeo acima.

No final do ano de 2016, a Polícia Federal deflagrou a Operação Maus Caminhos, que revelou um esquema milionário de desvio de recursos da saúde pública do Amazonas. Poucos meses depois, David Almeida assumiu a presidência da Assembleia Legislativa do Amazonas, ou seja, passou a chefiar o poder que fiscaliza o governo do estado. Nesse período, nenhuma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi aprovada pelos deputados para investigar o caso.

“Qual o resultado de uma CPI? Apurar um fato determinado. A Polícia Federal, o Ministério Público Federal, a Receita Federal, a AGU e todos os órgãos de controle fizeram uma investigação que detectou e culminou com a Operação Maus Caminhos. A Operação Maus Caminhos veio com toda uma investigação e com todos os instrumentos de uma investigação, com elementos suficientes e pedindo a prisão preventiva, desbaratando toda essa questão do desvio na área da saúde. Nesse momento não cabia e não cabe uma CPI em função de investigar o que já foi investigado. As pessoas, sendo presas e algumas sendo condenadas, e muita gente querendo CPI. Um instrumento nesse momento sem eficiência e eficácia”, comentou o candidato.

Almeida prometeu revisar todos os contratos da saúde do Amazonas, centralizando as contratações para reduzir custos. Ele criticou contratações atuais do governo estadual com dispensas de licitação.

Você revisar contratos é olhar, analisar, ver a eficiência e eficácia desse contrato. Hoje, o atual governo fez 625 dispensas de licitação. Estamos falando de mais de R$ 500 milhões, meio bilhão de reais. Quando eu estive como governador, tinha uma recomendação do Ministério Público para que se fizesse as licitações dos contratos da Operação Maus Caminhos. O estado no momento que eu assumi estava deficitário. Eu peguei o estado com R$ 698 milhões de déficit orçamentário e financeiro. Para você fazer uma licitação você tem que ter previsão orçamentária, destacar o orçamento e fazer a licitação. De imediato, nós repactuamos na saúde e na educação R$ 315 milhões de contratos. Aí eu tive um ambiente favorável para fazer os editais e liberar orçamento para licitação. Sabe o que aconteceu? Fizemos os procedimentos para fazer 84 licitações, todos objetos da Operação Maus Caminhos. O governador atual, quando foi ganhar eleição, foi até o TCE e pediu para suspender todos os processos licitatórios que excedessem o prazo de vigência da minha administração”, disse David.

O modelo de terceirização da saúde do Amazonas, com intermediação de profissionais por meio de cooperativas, será um dos pontos que o candidato pretende reavaliar caso seja eleito.

Médicos são contratados por plantão. Tem plantão contratado pelo estado que é mais barato do que os plantões feitos nos hospitais particulares. O que falta é fiscalização. O governo não tem controle disso. O governo terceirizou tanto que o não tem nem controle sobre as pessoas que dão entrada dos hospitais. A empresa que recebe as pessoas nos hospitais é uma terceirizada que trabalha no [Hospitais] 28 de Agosto e João Lúcio. O governo não tem controle sobre isso. Tudo é analógico no governo. Nosso projeto é a digitalização dos serviços do estado, tornando o estado eficiente e dando transparência ao serviço do estado. A terceirização, ela precisa ser feita, sim, na atividade-meio: vigilância e conservação. Na atividade-fim o estado tem que puxar para si o controle e responsabilidade”, comentou o candidato.

Na infraestrutura, David Almeida prometeu duplicar as rodovias estaduais AM-010 e AM-070. Ele assumiu ainda responsabilidade de asfaltar a BR-319, mesmo sendo de competência do governo federal. Os recursos para cumprir as promessas viriam do resgate de cerca de R$ 22 bilhões em títulos de um fundo de habitação.

Vou ser eleito governador e vou atrás desse dinheiro no dia 2 de janeiro. Essa é solução para os problemas do estado do Amazonas. Com R$ 22 bilhões eu pago todas as dívidas consolidadas do estado, eu faço a duplicação da AM-070 e, da duplicação da AM-010, asfalto a BR-319 e ainda faço pelo menos 60 mil casas populares, diminuindo o déficit habitacional e ainda sobra dinheiro. Vou buscar todas forças”, afirmou.

Uma das propostas do plano de governo do candidato do PSB é reestruturar o sistema prisional do Amazonas. Questionado sobre o porquê não ter iniciado esse processo de reestruturação quando assumiu interinamente o governo estadual em 2017, David Almeida disse que não houve tempo para colocar em prática a medida.

Não é um problema fácil de se resolver. A primeira reunião que eu tive com o secretário de segurança, eu perguntei se o contrato da Umanizzare tem como rescindir. Não tem. São 240 milhões de reais gastos por ano nesse contrato. Esse contrato da Umanizzare eu vou revisar de uma forma diferente. São 56 itens. Por exemplo, o contrato não é só para cuidar do preso. Quando eu fui governador, em quatro meses consegui recursos, reativei a obra do CDPM 2 e inaugurei o CDPM 2 em quatro meses, o presídio mais moderno do Amazonas. O contrato da Umanizzare se torna caro porque lá está previsto atendimento odontológico, jurídico, atendimento médico, assistente social e esportivo. Tudo isso o estado já faz. Vou rever esse contrato e tirar esses itens. Vou diminuir esse contrato em pelo menos 50%”, disse Almeida.

O candidato prometeu ainda fazer concursos públicos com 5 mil vagas para Polícias Civil e Militar em quatro anos. Outras 300 vagas também serão criadas para agentes penitenciários, de acordo com David Almeida.

“Temos somente 65 agentes penitenciários no estado do Amazonas. Por isso, a necessidade de contratar uma empresa terceirizada. Vou fazer concurso público nos moldes dos agentes penitenciários federais com, no mínimo, 300 vagas para dar conta dos presídios”, disse.

Para reduzir as desigualdades sociais das populações de Manaus em relações dos moradores dos municípios do interior do estado, David Almeida pretende fazer um zoneamento econômico ecológico e fomentar o desenvolvimento de atividades de acordo com a vocação de cada região. “Nosso plano de governo tem três pilares. Primeiro desburocratizar o estado. Simplificar a legislação tributária. Investir em infraestrutura e logística. Até hoje o estado não tem seu zoneamento econômico ecológico. É você mapear as áreas. Saber quais são as potencialidades de cada município e o que cada um pode produzir. Mapeando tudo isso o estado vai investir para que essa riqueza natural do povo do Amazonas possa gerar renda para povo do Amazonas”, comentou.

Fonte: G1 Amazonas


*** Se você é a favor de uma imprensa totalmente livre e imparcial, colabore curtindo a nossa página no Facebook e visitando com frequência o AM POST.


Contato Termos de uso