Médico de Maués que se irritou ao ter refeição interrompida por emergência é afastado e se pronuncia

O médico afirma que era perseguido pela enfermeira com quem discutiu no vídeo e que sua conduta foi correta.
10/12/2019 18h28 - Atualizado em 11/12/2019 20h15

Foto: Reprodução


Redação AM POST

O médico Fernando Batista, do Hospital Raimunda Dineli da Silva, do município de Maués (distante 259km de Manaus) foi afastado do cargo após viralizar vídeo nas redes sociais em que ele discute com uma enfermeira durante procedimento com um idoso após a emergência ter interrompido sua refeição. O caso aconteceu na noite deste sábado (7).

A Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), junto com o Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cream-AM), afirmaram que o médico agiu de forma antiética e vai passar por um processo administrativo e uma sindicância simultaneamente. Fernando está afastado de seu cargo e não foi anunciado quando voltaria.

Em nota, o médico afirma que era perseguido pela enfermeira, que sua conduta foi correta e durante 14 anos de profissão, ele nunca foi chamado por erro médico.

Leia a nota dele na íntegra:

Nota de esclarecimento

“Em relação ao fato ocorrido no dia 7 e que deu origem ao video exposto nas redes sociais, foi uma consequência de outro fato. Ao receber o plantão a enfermeira do dia foi até o consultório e disse que tinham 3 pacientes graves na clínica médica e pediu minha avaliação. Atendi os pacientes que estavam aguardando e fui até a clínica médica avaliar os pacientes.

Ao retornar fui avaliar um paciente que estava na UCI da emergência e vi que o mesmo estava estável e sem necessidade de estar lá. Pedi para o enfermeiro comunicar a enfermeira da clínica médica que era de extrema necessidade que o paciente fosse para a clínica médica. A mesma se recusou a receber o paciente alegando que estava com muitos pacientes na clínica. Quando passei pela UCI tempo depois vi que o paciente ainda estava lá e indaguei o enfermeiro que disse que a enfermeira recusou o paciente.

Então eu disse para o enfermeiro: comunique a enfermeira que o paciente vai para a clínica, é uma ordem minha diga pra ela. Isso me indignou muito. Eu precisava do leito da UCI vago caso chegasse um paciente grave. Ao passar pela UCI na hora que fui na clínica médica e quando fizeram o vídeo, vi que o paciente ainda estava lá. Isso me irritou mais ainda.
Voltando ao vídeo.

O jantar é servido de 19h até 21h. O ocorrido foi por volta de 21:30h quando fui fazer minha alimentação. Estava jantando quando me ligaram falando que tinha uma “emergência” na clínica. Liguei pra lá para saber o que era. O técnico de enfermagem me relata: não Dr, é aquele seu paciente da UCI que tá só com uma hipoglicemia. O que eu faço?

Eu digo: Helinho põe um soro glicosado e uma ampola de glicose que ele já melhora. Terminando de jantar vou aí prescrever. Cerca de 2 minutos depois a citada enfermeira e que já vinha causando problema me liga.

Dr é pro Sr vir aqui pq o paciente tá ruim. Eu disse: enfermeira eu já pedi pra fazerem o soro nele, faça q ele já melhora e terminando de jantar eu vou aí prescrever. A mesma volta a falar dizendo que a filha ou neta do paciente está muito brava porque o médico não está dando assistência.

Eu volto a dizer: enfermeira ele está tendo assistência sim, tem pouco tempo que fui aí. Desligo e uns 2 a 3 min depois me ligam de novo da recepção dizendo que estão me chamando na clínica médica. Eu paro de jantar e me dirijo para a clínica médica onde avisto o paciente ainda na UCI da frente da emergência.

Infelizmente o vídeo não retrata o contexto da situação, ocorrem cotidianamente vários procedimentos rotineiros entre médico-enfermeiros (como ordens/orientações verbais. Várias vezes num caso como esse de hipoglicemia a enfermagem faz o soro glicosado e depois comunica o médico para prescrever. Essa enfermeira desde o início tumultuou o plantão. A mesma disse para a garota que filmou que não sabia do médico é que era pra mesma me procurar lá na frente, com risco da mesma levar contaminação de um setor para outro do hospital. Minha conduta foi correta.

Tenho plena consciência que agi dentro do exercício legal da minha profissão, em 14 anos como médico nunca fui chamado onde quer que seja por erro médico. Tenho a consciência tranquila. Agradeço o apoio da minha família, dos amigos e de alguns pacientes pelas mensagens e ligações.

Infelizmente se trata de mais uma conduta com o intuito de expor, denegrir e prejudicar o outro.
Vale ressaltar que, em todos os plantões busca-se o espírito de “equipe”, sempre com uma boa interação e sintonia. Mas infelizmente, existem os profissionais que ao invés de ajudar, querem tumultuar e prejudicar.”


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