“Bolsonaro é um irresponsável que não está à altura do cargo”, diz Serafim

O deputado declarou ainda que o presidente jogou os governadores e prefeitos contra a população.
25/03/2020 13h38 - Atualizado em 25/03/2020 16h59

Foto: Divulgação


Redação AM POST

O deputado Serafim Corrêa (PSB) repudiou as críticas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) às medidas adotadas pelos governadores para combater a proliferação do Covid-19. Bolsonaro repetiu em rede nacional, nessa terça-feira, 24, que as medidas de prevenção contra o novo coronavírus se tratam de “histeria” e fez ataques à imprensa.

“Acho que o Bolsonaro é um irresponsável que não está à altura do cargo que exerce. No momento em que é preciso seguir a orientação sanitária partida dos cientistas, médicos, partida, inclusive, do seu próprio ministro da Saúde, que é um homem competente e preparado. Não entendo como ele não entregou o cargo. Talvez pelo seu alto espírito de brasilidade. Se o ministro deixasse o cargo, talvez fosse colocado um maluco igual ao presidente e tudo ficaria pior”, disse Serafim.

O deputado declarou ainda que o presidente jogou os governadores e prefeitos contra a população.

“Aquilo que ele fez foi um absurdo. Ele jogou contra o povo, contra a saúde. Ele jogou os governadores e os prefeitos contra a população, porque as medidas que os governadores de modo geral e os prefeitos adotaram não são medidas simpáticas, mas são necessárias para combater essa pandemia que assusta o mundo inteiro”, afirmou o deputado.

O líder do PSB na Casa ainda afirmou lamentar a irresponsabilidade do presidente.

“Ele fala que a doença só atinge os mais velhos, como se ele não tivesse 65 anos. Eu olho para a população como um todo, principalmente para a mais carente que não tem água, rede de esgoto, condição sanitária para enfrentar uma doença terrível como é o coronavírus”, disse o deputado.

PSB diz que manifestação do presidente é uma ameaça à crise sanitária

O presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Carlos Siqueira, enviou uma nota dizendo que a manifestação do presidente é uma ameaça à crise sanitária e a profunda crise política-institucional.

“O país e suas instituições assistiram na noite de ontem, perplexos, manifestações do senhor presidente da República acerca da pandemia causada pelo coronavírus. Sobressai de forma inequívoca, no discurso presidencial, a mais brutal indiferença pelos brasileiros mais vulneráveis à infecção, entre os quais se incluem idosos, acometidos por doenças crônicas cardíacas e pulmonares e diabéticas”, diz trecho  da nota.

Leia a nota na íntegra:

O país e suas instituições assistiram na noite de ontem, perplexos, manifestações do presidente da República acerca da pandemia causada pelo coronavírus. Sobressai de forma inequívoca, no discurso presidencial, a mais brutal indiferença
pelos brasileiros mais vulneráveis à infecção, entre os quais se incluem idosos,
acometidos por doenças crônicas cardíacas e pulmonares e diabéticas.

Deve-se destacar, ainda, a completa ausência de empatia pelo sofrimento alheio, em benefício de uma defesa fantasiosa da preservação da atividade econômica, como se ela pudesse ser mantida nos trilhos, apesar do quadro sanitário extremamente
grave pelo qual passa o planeta.

Há no discurso presidencial, somadas a indiferença pelos mais frágeis e a redução do sujeito humano a mera peça do processo produtivo, uma flagrante vertente eugenista (*), que de resto marca historicamente os posicionamentos da extrema direita, que não raro conduzem ao extermínio.

O senhor presidente faz, portanto, o que sabe fazer: transforma a inépcia e inapetência para governar, em crise política, em material para que as milícias digitais que fazem sua linha de frente, possam atacar aqueles que se mantenham nos limites do razoável.

Não por acaso, liderando um governo confuso e incapaz de compreender o quadro que a humanidade enfrenta – com honrosas exceções –, intensificam-se os ataques aos governadores e prefeitos, que demonstram acima de tudo serem sujeitos humanos sensíveis, ao transformarem suas administrações em máquinas de guerra, defesa dos mais vulneráveis e da sanidade de seus estados e cidade.

Eles simplesmente exercem na atividade política o que há de mais relevante: preservar vidas humanas, quaisquer que sejam elas; não cair na barbárie de escolher entre os que devem sobreviver e os que devem ser deixados à morte, como se
estivéssemos diante de um processo de seleção natural.

Se a pandemia, a bioquímica do vírus podem ser considerados, ainda que em caráter provisório, um fenômeno natural, o modo de enfrentá-lo é um fenômeno estritamente político, porque requer a sabedoria de fazer escolhas justas, preservar o bem comum, instituir um ambiente de solidariedade, respeito; fazer com que todos se encontrem com a compaixão que devem a seus próximos.

Essas metas, contudo, passam longe da perspectiva presidencial, que preferiria deixar à crise sanitária “cuidar de si mesma”, com os efeitos que já se viu à exaustão pelo mundo. Daí, talvez, o completo desprezo presidencial pelos atos de governo, no sentido mais elevado do termo. A perspectiva delirante que anima seu campo político rejeita a laicidade, para abraçar uma visão apocalíptica, na qual “os justos serão salvos”.

É preciso reconhecer, contudo, no contexto dos desatinos em que gravita o presidente da República, que ele foi sobrepassado pelos fatos e já aparece à população, como aquilo que de fato é: um político que jamais deixará suas bizarrices, para se tornar um estadista.

Finalmente, a fala presidencial para além da ameaça à saúde pública, aprofunda a crise política e institucional podendo gerar graves consequências negativas para o nosso país.

* Com informações da Assessoria de Imprensa


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