Ministro da Saúde pede que pessoas fiquem em casa e diz que será movido pela ciência

Segundo Mandetta, o isolamento dá tempo para que o sistema de saúde se organize para o momento de pico da epidemia.
28/03/2020 18h51 - Atualizado em 28/03/2020 18h51

Foto: Reprodução


REUTERS

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, recomendou neste sábado (28) que as pessoas fiquem em casa e afirmou que a atuação do ministério será movida pela ciência.

A afirmação veio após o Brasil confirmar 114 mortes provocadas pelo Covid-19, doença causada pelo coronavírus, com 22 novos óbitos registrados nas últimas 24 horas.

O ministério informou também que o índice de letalidade da Covid-19 no país é de 2,9%.

“Vamos nos mover pela ciência e pela parte técnica, com planejamento”, garantiu Mandetta na entrevista coletiva.

Após uma semana em que o presidente Jair Bolsonaro defendeu enfaticamente a retomada de atividades como as de escolas e o comércio, fechados por medidas de restrição de circulação adotadas por governadores e prefeitos, Mandetta recomendou que as pessoas fiquem em casa e defendeu que haja uma articulação entre União, Estados e municípios na adoção de medidas para conter o avanço do vírus daqui para frente.

O ministro disse que o isolamento das pessoas têm permitido que leitos de terapia intensiva geralmente usados para traumas causados por acidentes de trânsito fiquem disponíveis para pacientes com Covid-19.

“Mais uma razão para a gente diminuir bastante a circulação de pessoas”, afirmou Mandetta, que também disse que o isolamento dá tempo para que o sistema de saúde se organize para o momento de pico da epidemia, como por exemplo garantindo que equipamentos de proteção individual cheguem para os profissionais da saúde.

“Mais uma razão para a gente ficar em casa parado para que os equipamentos cheguem às mãos de quem precisa”, disse. “Esse vírus ataca o sistema da saúde, e ataca o sistema da sociedade como um todo.”

Mandetta também alertou para os riscos do uso indiscriminado da cloroquina, medicamento indicado para malária e doenças autoimunes como lúpus, no tratamento de Covid-19.

Bolsonaro tem se referido frequentemente à cloroquina como uma alternativa de tratamento, embora os estudos sobre a eficácia do remédio contra o coronavírus estejam ainda em fase preliminar, como disse o ministro neste sábado.

“Cloroquina não é panaceia”, disse Mandetta, apontando que o remédio pode ter contraindicações e afetar órgãos vitais do organismo, como o fígado. “Podemos ter mais mortes pelo mau uso do medicamento do que pela própria virose.”

Mandetta disse que o Ministério da Saúde está trabalhando junto com o Ministério da Economia e com secretários estaduais de Saúde para que exista uma articulação em relação às medidas de restrição de circulação.

Embora tenha dito que Bolsonaro está “certíssimo” em manifestar sua preocupação com a possibilidade de pessoas morrerem por causa de uma crise econômica gerada pelas restrições, Mandetta não descartou a possibilidade de ser necessária a adoção de um lockdown total para conter a epidemia.

“O lockdown pode vir a ser necessário”, afirmou, ao mesmo tempo que defendeu que os gestores locais arbitrem as medidas necessárias a cada momento.

Mandetta voltou a afirmar que permanecerá no cargo, em meio a atritos entre as recomendações do ministério e a retórica pública de Bolsonaro em relação à pandemia. O presidente já se referiu mais de uma vez ao Covid-19 como uma “gripezinha”.

“Volto a repetir: vou ficar aqui junto com vocês enquanto o presidente permitir, enquanto eu tiver saúde… Ou (até) a hora que não for mais necessário estarmos aqui”, garantiu.


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