Namorado de Gugu pede reconhecimento de união estável na Justiça

Ele diz ter se relacionado com o apresentador durante mais de sete anos e que levaram uma vida conjugal durante três deles.
08/05/2020 08h43 - Atualizado em 8/05/2020 08h43

Foto: Reprodução


O chef de cozinha Thiago Salvático acionou seus advogados e entrou na Justiça com um processo de reconhecimento de união estável homoafetiva com Gugu Liberato (1959-2019) e a partilha de bens acumulados durante o período em que estiveram juntos. Na ação, protocolada na 9ª Vara de Família e Sucessões do Foro Central da Comarca de São Paulo, ele diz ter se relacionado com o apresentador durante mais de sete anos e que levaram uma vida conjugal durante três deles.

O Notícias da TV teve acesso ao processo, de mais de 100 páginas, protocolado em 9 de abril. Nelas, os advogados detalham como foi o relacionamento com Gugu, desde o dia em que se conheceram, em novembro de 2011, até a morte. Salvático, que mora na Alemanha, esteve no velório do apresentador, realizado em 29 de novembro, em São Paulo.

O documento conta que Thiago e Gugu se conheceram em um voo, numa ponte aérea de São Paulo ao Rio de Janeiro. Por terem se sentado lado a lado na viagem, foram conversado durante o trajeto e trocaram e-mails assim que desembarcaram. Somente em fevereiro de 2012 o apresentador enviou a primeira mensagem, e a partir daí passaram a se falar diariamente por telefone.

Em maio daquele ano, fizeram a primeira viagem juntos. Foram para Milão, na Itália, e se hospedaram em quartos separados. Já instalados, passaram duas horas conversando nos aposentos do apresentador e, antes de descerem para o jantar no restaurante do hotel, deram o primeiro beijo.

Ficaram poucos dias juntos e só voltaram a se encontrar em outubro do mesmo ano, desta vez na casa de Gugu, no condomínio em que vivia na cidade de Barueri (Grande SP). Decidiram passar o fim de semana em Búzios (RJ) e viajaram no avião particular do apresentador.

Após os dias juntos, Thiago retornou para a Alemanha, e mantiveram contato diário. Eles se reencontraram somente em julho de 2013, em uma viagem romântica pelo sul da Itália, passando por Ísquia e Positano. Foi nessa ocasião que eles tiveram a primeira relação sexual. Em agosto do mesmo ano, em um hotel de luxo em Istambul (Turquia), o apresentador o teria pedido em namoro.

Foram anexados ao processo comprovantes das inúmeras viagens que fizeram juntos ao redor do mundo. O processo lista mais de 40 destinos, como Espanha, Ilhas Maldivas, Dubai, Finlândia, Áustria, África do Sul, México e França como mostra a imagem que ilustra esta reportagem, tirada em Paris, em abril de 2014. Diversas fotos dos dois juntos também constam no processo.

A defesa incluiu ainda trechos de inúmeras conversas que tiveram por meio do aplicativo WhatsApp. Nos textos constam os apelidos carinhosos do casal: “Paxtel” e “Poxinha”.

Gugu e chef sonhavam formar uma família

No processo, a defesa de Thiago diz que foi numa viagem à Suíça, realizada em novembro de 2016, que ocorreu a conversa que definiu o novo status do relacionamento. Eles teriam assumido o compromisso de ficarem juntos para sempre e formarem uma família.

Há diversos relatos íntimos do casal. Thiago afirma que no último aniversário celebrado por Gugu, em 10 de abril de 2019, eles estavam em Sintra (Portugal). O chef pediu ao músico do restaurante em que jantavam que tocasse Chariots of Fire, música-tema do filme Carruagens de Fogo (1981), composição instrumental que fazia parte da história do casal.

Ele também cita a última viagem que fizeram juntos, entre 17 outubro e 4 de novembro de 2019. No último dia de turismo, o perfil oficial do Power Couple Brasil havia sido invadido e noticiado a morte do apresentador. Eles estavam em Singapura, e de lá o apresentador publicou no Instagram uma foto da piscina do hotel em que se hospedaram para dizer que estava vivo.

Retornaram ao Brasil e ficaram juntos até 15 de novembro, quando Gugu precisou retornar a Orlando (EUA) para resolver problemas com seus filhos. Uma semana depois, Thiago foi notificado por Nilton Moura, motorista e confidente do apresentador, sobre o acidente doméstico que o matou.

Na ação, a defesa do chef de cozinha argumenta que o envolvimento entre os dois não tinha mais como evoluir em termos afetivos, e que o acordo verbal selado em novembro de 2016, quando combinaram de passar o resto de suas vidas juntos e constituir família, configura a relação como uma união estável.

Entre as provas a seu favor, é dito que o casal compartilhava cartões de crédito e que Thiago tinha as senhas dos cartões pessoais de Gugu. Além disso, possuíam investimentos em conjunto administrados por ambos. E também cita os aplicativos que compartilhavam, entre eles o Playplus, serviço de streaming da Record.

Além do reconhecimento da união estável homoafetiva e a divisão dos bens adquiridos desde novembro de 2016, a defesa de Salvático pede uma indenização de R$ 100 mil e que os réus (filhos, sobrinhos, irmãos e mãe de Gugu) arquem com as custas processuais.

A reportagem entrou em contato com Maurício Traldi, advogado de Thiago Salvático, mas ele não quis fornecer mais detalhes. Apenas disse que neste momento não irá se manifestar.

Nelson Willians, advogado de Rose Miriam di Matteo, mãe dos filhos de Gugu, já estava ciente da existência do processo e declarou na manhã desta quinta-feira (7) que esse episódio é uma “tentativa sórdida de criar tumulto processual.

“Não tive acesso ao processo, mas, de antemão, pergunto: o relacionamento era público, contínuo e com o objetivo de constituir família? Não é possível sequer saber se realmente houve um relacionamento, porque não me consta que Gugu se assumisse homossexual”, questionou Williams em nota enviada à imprensa.

O advogado também move uma ação em que pede reconhecimento de união estável de sua cliente com o apresentador. Já o escritório que representa a família Liberato tomou conhecimento do pedido de Salvático ao ser abordado pelo Notícias da TV.

Confira a nota de Nelson Williams na íntegra:

“Nelson Wilians, advogado que representa a viúva Rose Miriam, entende que esse é mais um episódio que expõe a família e a reputação do apresentador, além de uma tentativa sórdida de criar tumulto processual.

‘Não tive acesso ao processo, mas, de antemão, pergunto: o relacionamento era público, contínuo e com o objetivo de constituir família? Não é possível sequer saber se realmente houve um relacionamento, porque não me consta que Gugu se assumisse homossexual. Admitindo-se que houve um relacionamento que não de amizade, o que é questionável, reafirmo, a Justiça tem parâmetros bem definidos para ponderar os fatos’.”

Fonte: Notícias da TV


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