Bolsonaro elogia Decotelli; novo ministro da Educação diz que data da posse depende do Planalto

“Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o ministério”, disse Bolsonaro.
30/06/2020 07h55 - Atualizado em 30/06/2020 07h55

Foto: Reprodução


Reuters

O presidente Jair Bolsonaro elogiou o novo titular da Educação, Carlos Alberto Decotelli, em meio a notícias veiculadas nos últimos dias questionando titulações obtidas durante sua vida acadêmica que constam do currículo dele, enquanto o ministro disse que a data de sua posse depende do Palácio do Planalto.

“Desde quando anunciei o nome do professor Decotelli para o Ministério da Educação só recebi mensagens de trabalho e honradez”, disse Bolsonaro nesta segunda-feira em sua conta no Facebook.

“Por inadequações curriculares o professor vem enfrentando todas as formas de deslegitimação para o ministério”, acrescentou.

Segundo o presidente, Decotelli “não pretende ser um problema para a sua pasta (governo), bem como, está ciente de seu equívoco”.

“Todos aqueles que conviveram com ele comprovam sua capacidade para construir uma Educação inclusiva e de oportunidades para todos”, concluiu Bolsonaro.

Quando anunciou a escolha do ministro, Bolsonaro destacou os títulos que Decotelli recebeu durante sua vida acadêmica. Posteriormente, surgiram questionamentos sobre titulações e informações incluídas nos cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado que ele divulgou. Decotelli foi escolhido para substituir Abraham Weintraub, que se envolveu em polêmicas na sua gestão à frente do ministério.

Em uma longa nota divulgada no sábado, a Assessoria de Comunicação do Ministério da Educação disse que Decotelli admitiu ter sido reprovado na sua defesa de tese de doutorado em Administração na Universidade de Rosário, na Argentina, mesmo ele tendo cumprido todas as disciplinas.

Na nota, Decotelli disse também ter feito um trabalho na Universidade de Wuppertal, na Alemanha, publicado em 2017. Em seu currículo, isso aparece como um pós-doutorado.

“Em abril de 2017, recebeu documento que atesta o registro de seu trabalho. O ministro ressalta que não recebeu títulos em decorrência desta pesquisa”, disse.

“De forma a dirimir quaisquer dúvidas, o ministro já efetuou os devidos ajustes em seu currículo, que, em breve, estarão refletidos nas principais plataformas de divulgação de dados profissionais”, completou.

Por último, a nota refutou alegações de dolo de que teria plagiado informações do mestrado que defendeu na Fundação Getulio Vargas.

“Informa que o trabalho foi aprovado pela instituição de ensino e que procurou creditar todos os pesquisadores e autores que serviram de referência e cujo conhecimento contribuiu sobremaneira para enriquecer seu trabalho”, disse.

“O ministro destaca que, caso tenha cometido quaisquer omissões, estas se deveram a falhas técnicas ou metodológicas. Informa também que, ainda assim, por respeito ao direito intelectual dos autores e pesquisadores citados, revisará seu trabalho e que, caso sejam identificadas omissões, procurará viabilizar junto à FGV uma solução para promover as devidas correções”, completou.

Em entrevista nesta segunda à noite, após se reunir com o presidente, Decotelli reafirmou ter concluído as disciplinas do curso de doutorado na Argentina, repetiu ter apresentado um trabalho no curso que fez na Alemanha e voltou a defender eventuais problemas na dissertação de mestrado como decorrentes de questões medodológicas.

Questionado ao final da entrevista se continua no cargo, Decotelli respondeu: “Sou ministro, tenho trabalhos agora e adoro ficar até de noite, sabe para quê? Para tentar corrigir os ajustes de Enem, de Sisu, das demandas grandes.”

Sobre sua posse, o ministro disse que a data depende do protocolo do Palácio do Planalto.

Veículos chegaram a citar que a posse de Decotelli —que foi nomeado em edição extra do Diário Oficial da União de quinta-feira— iria ocorrer na terça-feira.

“Em nenhum momento a Secom confirmou o evento à imprensa e, até agora, não há previsão para essa cerimônia”, disse a Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência na tarde desta segunda.


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