Janaina Paschoal critica editorial do Estadão sobre cloroquina: ‘deveria ouvir os médicos do Amazonas’

Na publicação das redes sociais, a deputada informa que os médicos do Amazonas conseguiram controlar o caos com a ajuda do medicamento.

Lucas Vasconcelos – Redação AM POST

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) criticou na manhã desta terça-feira (28) em suas redes sociais, o editorial do jornal O Estado de S. Paulo que acusa o presidente Jair Bolsonaro de “charlatanismo” ao defender o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19, mesmo que sua eficácia ainda não tenha sido comprovada.

Janaina Paschoal replicou o termo utilizado pelo Estadão e informou que a imprensa deveria ouvir os médicos do Amazonas para fundamentar o editorial.

“Triste ler o editorial do Estadão, falando em charlatanismo! Antes de acusar, o Estadão deveria ouvir os médicos do Amazonas e do Amapá, aqueles que, mesmo sem estrutura, com os tais kits, conseguiram controlar um ambiente de caos! Por que a Imprensa compra uma versão sem conferir as pontas? Poderemos aguardar anos de pesquisas para usar medicamentos antigos, largamente testados? Quantos morrerão até que os “cientistas” publiquem um texto “acadêmico” autorizando quem está na ponta a salvar vidas?”, declarou em publicação.

A deputada, que foi diagnosticada com Covid-19 no mês passado, reforçou sua posição sobre o tratamento de cloroquina no início dos sintomas.

“Por que o Estadão não pergunta a razão de os hospitais privados medicarem seus pacientes no início dos sintomas? Só os pobres ficarão em casa esperando agravar? Vergonhoso isso! Eu segui o “fique em casa” e quase morri! Não vou me calar diante desse quadro de horrores! O Presidente erra no tom? Sempre, infelizmente! Mas, por odiá-lo, por querer derrubá-lo, a Imprensa está prejudicando quem está na ponta, em especial os mais pobres! Eu tenho nojo desse discurso! Nojo!”, ressaltou Janaina.

Confira na íntegra a publicação:

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Saúde no Amazonas

O Amazonas tem em estoque cerca de 81.140 comprimidos de cloroquina. O estado recebeu 371 mil comprimidos desse medicamento que foram enviados pelo Governo Federal durante a pandemia do novo coronavírus (covid-19). Outros 30.240 comprimidos de hidroxicloroquina foram doados por uma indústria farmacêutica. Sem comprovação científica no tratamento da covid-19, os dois medicamentos usados no tratamento da malária, só podem ser receitados com autorização do paciente infectado com o novo coronavírus ou da família.

Segundo último boletim diário da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) divulgados, a instituição confirmou a recuperação de mais 518 amazonenses, nas últimas 24 horas, chegando a 81.631 pessoas que passaram pelo período de quarentena (14 dias) e se recuperaram da doença.

O editorial

No editorial publicado na manhã desta terça-feira (28), o Estadão destacou a “politização da pandemia” por parte do presidente da República Jair Bolsonaro ao defender o uso da cloroquina. O jornal afirmou que a defesa de um medicamento que possui riscos à saúde resulta em um “charlatanismo elevado à categoria de política de Estado para a área da saúde”.

“Quando um presidente da República – ouvido com atenção por toda a Nação pelo cargo que ocupa – insiste em fazer propaganda a respeito dos supostos efeitos benéficos da cloroquina contra a covid-19, mesmo depois que esse medicamento foi considerado ineficaz por vários estudos, reina uma perigosa confusão”, ressalta o editorial intitulado “O efeito do charlatanismo”.

Para o jornal, “esse é o resultado da politização da pandemia por parte de Bolsonaro. Preocupado com os efeitos da crise sobre sua popularidade, o presidente agarrou-se à cloroquina como panaceia – e passou a tratar os médicos e as autoridades que questionaram a eficácia da droga como adversários políticos”.

“Como bem lembrou a Associação Médica Brasileira em nota, os médicos são autônomos para receitar medicamentos ainda que não haja comprovação de que funcionem no caso, mas, graças ao presidente Bolsonaro, muitos estão sendo constrangidos a fazê-lo, inclusive sob ameaça, no caso da cloroquina – mesmo ante o risco de efeitos colaterais perigosos. Nada disso é ciência, muito menos o pleno exercício da medicina; é, apenas, irresponsabilidade. A cloroquina, é bom que se lembre, provoca efeitos secundários que podem levar à morte”, finaliza.