Mulher que ofendeu fiscal em ação contra aglomeração em bares é demitida

A mulher disse: “A gente paga você, filho”, “Cidadão, não. Engenheiro civil formado e melhor que você”.

Reuters

Uma mulher flagrada ofendendo uma equipe de fiscalização da vigilância sanitária do Rio de Janeiro durante ação contra aglomeração em bares da cidade no fim de semana foi demitida nesta segunda-feira pela empresa de energia Taesa, que disse não compactuar com ações que coloquem em risco a saúde das pessoas ou com atitudes que desrespeitem profissionais que atuam no combate à pandemia.

Reportagem do Fantástico, da TV Globo, no domingo, mostrou um casal discutindo com agentes de fiscalização em frente a um bar lotado na noite de sábado. A mulher diz ao agente: “A gente paga você, filho”, e depois rebate quando o fiscal chama o homem de “cidadão” durante a conversa. “Cidadão, não. Engenheiro civil formado e melhor que você”, disse ela.

A transmissora de energia elétrica Taesa anunciou nesta segunda-feira a demissão da mulher em uma nota de posicionamento publicada no LinkedIn.

“A Taesa tomou conhecimento do envolvimento de uma de suas empregadas em um caso de desrespeito às leis que visam reduzir o risco de contágio pelo novo coronavírus e compartilha a indignação da sociedade em relação a este lamentável episódio, sobretudo em um momento no qual o número de casos da doença segue em alta no Brasil e no mundo”, afirmou a empresa.

“A Taesa ressalta que segue respeitando o isolamento e as mais rigorosas regras de prevenção ao coronavírus e que a empregada em questão desrespeitou a política vigente na empresa. Diante dos fatos expostos, a Taesa decidiu por sua imediata demissão.”

A empresa confirmou, por meio de sua assessoria de imprensa que a funcionária em questão é a mulher flagrada na reportagem do Fantástico. A Taesa é controlada pelo grupo colombiano Isa e pela estatal mineira Cemig.

Bares e restaurantes do Rio de Janeiro foram autorizados a reabrir na última quinta-feira, como parte do processo de flexibilização das medidas de redução de circulação de pessoas decretadas para conter o avanço do novo coronavírus na cidade.

Apesar de regras como obrigação do uso de máscara e distanciamento entre as mesas, cenas de aglomeração foram registradas em diversos pontos da cidade, o que levou a prefeitura a realizar operações para interditar locais que desrespeitam as regras.

Com 6.618 mortes confirmadas pela Covid-19 nos pouco mais de quatro meses desde a chegada da pandemia ao Brasil, a cidade do Rio de Janeiro tem um índice de mortalidade de 980 para cada 1 milhão habitantes, mais de três vezes acima da taxa nacional, de 288 por cada 1 milhão, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Especialistas em saúde pública consideraram a reabertura precipitada, uma vez que o vírus ainda está circulando com intensidade na cidade e o maior número de pessoas nas ruas representa um risco maior de avanço da doença.