Pastor é acusado de estuprar pelo menos oito meninos em Manaus

Segundo depoimentos, alguns abusos começaram desde 2009 quando as vítimas ainda eram crianças.

Redação AM POST

Um pastor de 47 anos, identificado como Almir de Lima Evangelista, está sendo investigado por ter cometido abuso sexual em vários jovens em Manaus. Segundo denúncias das vítimas formalizadas na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), Almir, que é pastor, se aproveitava de momentos a sós com os jovens durante os cultos em que realizava na igreja e na própria casa.

Conforme depoimentos de três vítimas identificadas apenas como “W”, de 21 anos, “P” e “E” de 16 anos, os abusos começaram quando ainda eram apenas crianças.

No ano de 2009, quando “W”, tinha apenas 10 anos, o pastor se aproveitou de momentos à sós com ele em uma sala de ornamentação da igreja.

“Recebi permissão de ir aos cultos de criança da igreja e comecei a me envolver nos ministérios. Em determinado momento fui chamado para ajudar a ornamentar a sala do culto das crianças e ele estava lá. Na época, ele era líder do ministério infantil da igreja. Todos começaram a ir embora e ele pediu para ficar lá, mas eu achei que ele só queria minha ajuda. Ficamos a sós, ele apagou a luz da sala e me abraçou. Na hora eu fiquei sem reação e paralisei, então ele foi descendo a mão e começou a pegar na minha bunda e tentava me beijar, mesmo eu dizendo não”, relatou W.

De acordo com a vítima os abusos foram se intensificando com o tempo. Os toques deram lugar ao beijo e cada vez mais se tornando invasivo e logo em seguida as tentativas de penetração e abusos psicológicos.

“Conforme o tempo se passava, ele ia avançando cada vez mais. Além da igreja, já acontecia em sua casa nos dias de célula ou quando ele pedia para ir resolver algo relacionado ao culto das crianças, na maioria das vezes na ausência dos filhos em casa ou com eles lá mesmo, no quarto ao lado”, informou a vítima.

Quando “W” tinha 13 anos, depois de ter passado por inúmeros atos de abuso, descobriram o caso dele na igreja.

“O pai de uma criança pegou as mensagens que eram trocadas via SMS na época e começou a puxar assunto e confirmou que o seu filho estava sofrendo abuso por parte do Almir e imediatamente em uma terça-feira de culto, o pai foi na igreja e queria matá-lo. A igreja imediatamente tentou abafar a situação por conta do grande nome que tem, e para manter sua reputação expulsaram ele de lá. Para a família do menor, a igreja informou que ia dar um auxílio, mas isso nunca foi confirmado se realmente acontece. E eu só fui procurado para confirmar os fatos depois de ter conversado com meus pais. Na época eu queria sumir, porque para mim eu sempre estava errado em relação a tudo que aconteceu”, disse W.

Pressão psicológica

O segundo relato é “P”, no ano de 2010, quando ele tinha apenas 13 anos. A família de “P” era amiga da família o pasto. A esposa de “P” trabalhava com churrasco e eles comiam no estabelecimento.

“Eu me lembro de um dia que eu estava sentado na janela e ele veio falar comigo, enquanto ele falava, ele encostou o pênis no meu joelho, de bermuda mesmo. A princípio não parecia nada sexual, eu pensei inclusive que era uma coisa da minha cabeça, que estava vendo maldade onde não tinha, mas isso se repetiu algumas vezes. Eu não falei nada e o empurrei para longe, fingi que nada aconteceu e saí dali”

A vítima também relata que foi surpreendida por um beijo do pastor e ele alegou que aquilo era uma demonstração de afeto e não havia maldade. “Ele me viu em desespero e falou que era um Ósculo Santo (tipo como se fosse um beijo santo, sem maldade). Eu sabia que aquilo não era nada santo, mas simplesmente não sabia como reagir e também não falei para ninguém”.

“P” também conta que os abusos continuaram e que sofreu várias pressões psicológicas por conta dos atos de abuso. “Eu fui fazer alguma coisa no quarto do filho dele, não lembro ao certo e ele estava lá, me puxou e começou a me masturbar. Isso aconteceu quando estava tendo algum evento, tinha várias pessoas no local. E novamente, eu não soube como reagir e fiquei paralisado”, relatou a vítima.

A vítima foi motivada a denunciar após um caso ser descoberto por outra família. “Por cerca de nove anos eu fiquei calado e não falei nada para minha família, porque se meus pais já o odiavam pelo que ele tinha feito com outros meninos, imagina se eles soubessem que também tinha acontecido com o filho deles. Eu dei um basta no silêncio e resolvi denunciar lá na delegacia”, finalizou a vítima.

Esposa do pastor

Uma terceira vítima, identificada como “E”, de 16 anos, afirma que a esposa de Almir, estava ciente de que os abusos aconteciam. “Ele sempre saía dessas igrejas por causa desses abusos sexuais, mas isso sempre foi algo abafado ou encoberto. A mulher dele, Eliete, não só era conivente, mas também induziu que alguns abusos acontecessem. Por várias vezes, ela viajava para o Pará, deixando a casa só com o Almir e um monte de adolescentes/crianças. As vítimas, além de abuso sexual, também sofriam de chantagem emocional/espiritual. O Almir por diversas vezes transferia a culpa para as suas vítimas”, disse um jovem de 16 anos.

A DEPCA solicitou exame para confirmar os estupros das vítimas e as encaminhou para o Instituto Médico Legal (IML). O caso será investigado.

*Com informações do EM TEMPO