Cuba nomeia ministro de Fidel como premier, cargo retomado após 43 anos
O último a ocupar o cargo de primeiro-ministro foi Fidel Castro, em 1976, ano em que o regime aboliu o cargo e iniciou um processo centralizador que durou até a adoção do novo texto constitucional.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, nomeou neste sábado (21) Manuel Marrero para ocupar o cargo de primeiro-ministro — posto que volta a existir depois de mais de 40 anos. O novo premiê havia sido apontado por Fidel Castro em 2004 para ocupar o Ministério do Turismo, pasta que chefiou até 2018.
Marrero assume a chefia do governo cubano em um momento de elevada tensão com os Estados Unidos, com retomadas de medidas contra a ditadura castrista. O novo primeiro-ministro teve o nome aprovado tanto pelo escritório político do Partido Comunista de Cuba quanto pela Assembleia Nacional, e, assim, terá mandato de cinco anos.
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Diferentemente de alguns dos novos vice-primeiros-ministros recém nomeados, Marrero não fazia parte do Comitê Central nem do escritório político do Partido Comunista. Ainda assim, era considerado um militante da sigla.
“Ao longo de sua trajetória de trabalho e como funcionário, Marrero se caracterizou por sua modéstia, honestidade, capacidade de trabalho, sensibilidade política e fidelidade ao partido e à Revolução”, elogiou o presidente em discurso.
“Ele conduziu de forma destacada o setor do turismo, que constitui uma das principais linhas de desenvolvimento da economia nacional”, assinalou Díaz-Canel.
Marrero iniciou sua carreira no governo em 1999, como vice-presidente do poderoso Grupo Hotelero Gaviota, das Forças Armadas. Um ano depois, tornou-se presidente desta entidade, cargo que ocupou até ser designado ministro do Turismo.
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O último a ocupar o cargo de primeiro-ministro foi Fidel Castro, em 1976, ano em que o regime aboliu o cargo e iniciou um processo centralizador que durou até a adoção do novo texto constitucional.
Nova Constituição
A nova Constituição, que entrou em vigor em abril de 2019, reinstaurou o cargo de primeiro-ministro de Cuba. Segundo o texto, o premiê apenas chefiará os ministros, com capacidade para “designar ou substituir diretores e funcionários” da administração central do Estado, mas também controlará o trabalho dos governadores provinciais, outro cargo restituído pela Carta Magna.
“Marrero não vem para transformar, mas para implementar e administrar. O presidente lidera. É uma distribuição de funções, e não uma separação de poderes”, disse à AFP o professor cubano de Relações Internacionais Arturo López-Levy, da Holy Names University.
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