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Temor da Covid-19 aumenta entre indígenas isolados da Amazônia brasileira

Cerca de 110 indígenas já foram infectados com o novo coronavírus no Vale do Javari.

Por Hugo Guimarães

30/06/2020 às 11:09

Reuters

Dezenas de indígenas do Vale do Javari, na Amazônia brasileira, contraíram Covid-19, e especialistas e autoridades alertam que a doença representa uma grande ameaça para suas vidas e cultura.

O vale do Estado do Amazonas é parte de uma região que faz fronteira com Peru e Colômbia, e abriga o maior número de povos indígenas isolados do mundo e outros que só tiveram contato com o mundo exterior pela primeira vez recentemente.

As terras indígenas do vale têm uma população estimada de 6 mil pessoas já contactadas que moram em áreas remotas, e existem ao menos outros 16 grupos isolados com os quais ainda não houve contato.

De acordo com as informações mais recentes, cerca de 110 indígenas já foram infectados com o novo coronavírus no Vale do Javari.

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A maioria é da tribo canamari, que já foi contactada e tem cerca de 1.400 membros. Se o coronavírus continuar a viajar rio acima e infectar comunidades indígenas isoladas, o resultado pode ser o extermínio, alertou um advogado local.

Caso a Covid-19 alcance áreas onde as pessoas têm pouca imunidade a doenças modernas, “então você pode esperar o pior”, disse Eliésio Marubo, advogado da União de Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Os indígenas isolados correm mais risco de contrair doenças infecciosas porque não têm as defesas imunológicas que a população geral desenvolveu ao longo dos anos, disseram autoridades indígenas e de saúde do Brasil.

As doenças respiratórias já são uma das principais causas de mortes entre os povos nativos do país, de acordo com o Ministério da Saúde.

A Covid-19, uma infecção viral para a qual só existem tratamentos limitados e nenhuma vacina, ataca os pulmões e outras partes do corpo.

“Se chegar nas comunidades isoladas, uma doença dessa vai dizimar todo mundo”, advertiu Marubo.

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O Brasil já registrou mais de 57 mil mortes pela Covid-19, o segundo maior número de fatalidades do mundo.

Mais de 11 mil delas ocorreram na Amazônia, apesar de a região só ter 8% da população brasileira, de acordo com dados oficiais.

O presidente Jair Bolsonaro vem sendo amplamente criticado pela maneira como lida com a crise do coronavírus. O país, que perdeu dois ministros da Saúde desde abril, ainda não empossou um novo titular na pasta.

Bolsonaro desdenha o distanciamento social e defendeu o uso de dois remédios antimalária, a hidroxicloroquina e a cloroquina, apesar de haver poucos indícios de sua eficiência.

Pesquisas divulgadas neste mês pela Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) mostraram que a taxa de mortalidade do coronavírus entre indígenas é 150% superior à da média brasileira.

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A taxa de infecção para cada 100 mil habitantes entre indígenas é 84% maior do que a média do Brasil, mostrou o estudo.

ENFRENTANDO A AMEAÇA

Em março, agências de governos municipais, estaduais e federal em Atalaia do Norte, no Amazonas, criaram uma comunidade para lidar com a ameaça da Covid-19 na Amazônia.

O comitê é responsável pela criação de estratégias de combate ao novo coronavírus, como o treinamento especializado de profissionais de saúde que atuam em Javari.

O Ministério Público Federal no Amazonas, enquanto isso, fez uma série de recomendações a autoridades de diferentes níveis no início de junho.

Aline Morais, procuradora federal no Amazonas, disse que, se as autoridades não implantarem as recomendações, o MPF pode abrir uma ação civil contra elas.

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“Para a gente é importante essa atuação preventiva. A preocupação com os isolados existe. Precisamos atuar para que o coronavírus não chegue neles”, disse ela à Thomson Reuters Foundation.

Recentemente, o Ministério da Saúde e outros órgãos estatais se mobilizaram para intensificar o atendimento de saúde na região remota em reação à pandemia.

Em parceria com Atalaia do Norte, a principal cidade do Vale do Javari, em junho o ministério inaugurou três leitos para tratamento de indígenas e uma área de recepção separada para eles no hospital local.

O ministério também prometeu 25 leitos hospitalares novos para indígenas em várias cidades próximas.

A pasta disse que seguiu as recomendações do Ministério Público Federal do Amazonas.

Milhares de itens de equipamento de proteção foram enviados a profissionais de saúde locais no começo deste mês, além de 1.320 exames rápidos e remédios.

Adicionalmente, mais de 20 profissionais de saúde foram enviados para se unir a uma força-tarefa na região e 16 ventiladores foram entregues.

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Este conteúdo pode ter sido produzido com o apoio de ferramentas de inteligência artificial, utilizadas para auxiliar na pesquisa, organização e estruturação do texto. Todo o material é revisado, editado e validado pela equipe editorial do AM Post.

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