Em Parintins, pacientes com Covid-19 são amarrados a macas
Prefeitura do município confirmou que os pacientes passaram o fim de semana amarrados nas próprias macas, com nós improvisados com gaze.
- Foto: Reprodução
Redação AM POST
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Pacientes com Covid-19, do Hospital Municipal Jofre Cohen, em Parintins (a 370 km de Manaus), estão sendo amarrados a macas por falta de medicamentos para sedação. A informação foi divulgada em reportagem nessa segunda-feira (22) do Jornal Nacional.
De acordo com a matéria, os pacientes estão inconscientes, intubados e em estado grave. Eles passaram o fim de semana amarrados nas próprias macas, com nós improvisados com gaze.
A Prefeitura de Parintins se pronunciou nesta terça-feira (23) sobre o caso e negou a falta de medicamentos, mas confirmou que a “contenção” dos pacientes é “necessária”.
“Quanto à denúncia sobre pacientes “amarrados” nas macas, a contenção dos mesmos é necessária para mantê-los em segurança, ao iniciar a diminuição dos sedativos, como no processo de extubação, evitando acidentes com os mesmos em uma movimentação brusca ou qualquer agitação que possa ocorrer após um longo período intubado”, diz em nota.
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De acordo com o município mesmo com o estoque crítico de bloqueadores neuromusculares, no sábado, em nenhum momento, os pacientes ficaram sem a sedação necessária para mantê-los em ventilação mecânica.
“A Secretaria informa também que há um número crescente de pacientes em estado grave, com necessidade de remoção a Manaus para tratamento de alta complexidade e que aguarda a transferência realizada pelo Governo do Estado do Amazonas”, conclui.
A presidente da Associação de Medicina Intensiva Brasileira disse que diante da situação de não ter sedativos, o procedimento de amarrar o paciente não está errado e explicou o que pode acontecer quando acaba o efeito da sedação.
“A primeira coisa que pode acontecer é uma auto-extubação. Ele tira o tubo e isso pode levar, inclusive, a uma parada cardíaca. É desumano a gente pensar em uma pessoa que vai ser mantida em uma ventilação mecânica, em uma ventilação artificial, sem estar sob analgesia e uma boa sedação. Porque ela vai sentir desconforto, ela vai sentir ansiedade, ela vai sentir medo. E tudo isso vai levar a consequências muito graves mesmo que não na hora, no futuro. Pode levar a várias consequências traumáticas para essa pessoa”, explica Suzana Lobo, presidente da Associação Brasileira de Medicina Intensiva.
A Defensoria Pública confirmou a autenticidade dos vídeos e vai apurar a situação dos pacientes. “A Defensoria vai oficiar a Prefeitura de Parintins, mas também a direção do hospital, para pedir esclarecimentos sobre o fato que as imagens retratam. A depender dessa resposta, a gente vai, sim, analisar e considerar, sim, a propositura de uma ação judicial”, afirma o defensor público Rafael Barbosa.
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