Movimentos conservadores do Amazonas preparam ato para o dia 7 de setembro em Manaus
São esperadas cerca de até 100 mil pessoas na manifestação.
- Foto: Divulgação
Movimentos conservadores do Amazonas esperam até 100 mil pessoas em ato que acontecerá no dia 7 de setembro, em Manaus, quando o Brasil completa 200 anos de independência de Portugal. A celebração cívica, porém, ficará em segundo plano. O principal objetivo dos manifestantes será a defesa das “liberdades individuais”, as quais eles acreditam estarem sendo atacadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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O evento acontecerá no complexo turístico da praia da Ponta Negra, Zona Oeste da capital, e está sendo organizado para ser o maior já realizado pelos conservadores. Estão confirmados saltos de ao menos três paraquedistas com bandeiras do Brasil; passeata pela cidade com caminhões e carretas; fanfarras; distribuição de 22 mil bandeiras do Brasil, folders e adesivos.
Além da defesa do que consideram valores conservadores, como “Deus, pátria, família e liberdade”, os manifestantes de Manaus estão divulgando vídeos em que colocam como uma das principais bandeiras do ato a exigência por “eleições limpas e transparentes”, uma referência à investida do presidente Jair Bolsonaro contra o sistema eleitoral, mesmo sem prova de fraudes no pleito.
Antes do ato na Ponta Negra, que está previsto para as 16h, caminhoneiros do Movimento Independente do Amazonas, Movimento Direita Norte e Caminhoneiros do Brasil realizam uma passeata que deve sair da avenida Torquato Tapajós, próximo ao Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, e passar pelas principais vias de Manaus até a parada final na Ponta Negra. O grupo espera a participação de 4 mil pessoas.
Motivação
Atos no dia 7 de setembro irão acontecer nas principais cidades do país e têm como o seu principal líder o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). O chefe do Executivo vem divulgando as manifestações há meses. No dia do anúncio da sua reeleição, em 24 de julho, chegou a dizer “convoco vocês agora para que todo mundo vá às ruas no sete de Setembro pela última vez”.
Na mesma ocasião, Bolsonaro atacou os ministros do STF, a quem os atos do dia 7 são direcionados. O presidente se referiu aos magistrados como “surdos da capa preta”. O representante do Movimento Direita Amazonas, Anderson Rodrigues, que organiza o ato em Manaus, também critica a Suprema Corte.
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Essa manifestação vai ser voltada para a defesa da liberdade de expressão e do pensamento político. Sobre as questões das redes sociais, por exemplo, tudo o que o STF entende que é fake news, ele tenta barrar a informação, entende que é mentira e acaba censurando pessoas de relevância nacional, como aconteceu com o deputado Daniel Silveira e o [empresário] Luciano Hang”, disse.
Em abril deste ano, o ST condenou o deputado federal Daniel Silveira (PTB-RJ) a oito anos e nove meses de prisão por ameaças aos ministros da Suprema Corte. O parlamentar, porém, foi “perdoado” pelo presidente da República – seu aliado – o que anulou a pena. Já o empresário Luciano Hang é investigado na Suprema Corte por suspeita de financiar atos que pediram o fechamento do Congresso e do STF. No último dia 23, ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal.
Em todos os atos pelo país, incluindo em Manaus, haverá a leitura do Manifesto à Nação Brasileira em Defesa das Liberdades, documento que já conta com mais de 944 mil assinaturas na plataforma Change.org. A carta escrita por advogados conservadores é uma resposta a outro manifesto lido por juristas, artistas, economistas, empresários, banqueiros e outras autoridades do país em 11 de agosto, em defesa do Estado Democrático de Direito e de eleições livres.
“Testemunhamos a instauração de inquéritos ilegais e inconstitucionais com o simples objetivo de criminalizar a opinião contrária, pelo órgão que deveria zelar pelos direitos fundamentais da população, mas que seguem abolindo nossas liberdades individuais e garantias fundamentais”, diz um trecho da carta que faz referência ao STF, sem citá-lo nominalmente.
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