Mercadante, que já foi acusado de tráfico de influência, é escolhido por Lula para presidir o BNDES
Petista indicou Mercadante durante o evento que encerrou os trabalhos da equipe de transição governamental.
Redação AM POST
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Confirmado nesta terça-feira (13) pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, para presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Aloizio Mercadante participou da fundação do PT em 1980. No governo Dilma Rousseff foi ministro da Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação, além da Casa Civil.
Lula indicou Mercadante durante o evento que encerrou os trabalhos da equipe de transição governamental, no Centro Cultural Banco do Brasil, em Brasília.
“Quero dizer para vocês que não é mais boato”, afirmou Lula, sobre a nomeação. Já era esperado que Mercadante ocupasse um cargo-chave na administração petista, visto que coordenou o programa de governo de Lula na campanha e os grupos técnicos do governo de transição.
Vale lembrar que Aloizio Mercadante também já comandou a Casa Civil na gestão de Dilma, entre 3 de fevereiro de 2014 e 1º de outubro de 2015. No cargo, ele virou alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), baseado em delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, na Operação Lava Jato. Segundo Pessoa, o petista participou de reunião em que foi acertada uma contribuição em caixa dois para sua campanha ao governo paulista, em 2010. Pelo acordo, conforme o delator, R$ 250 mil foram entregues oficialmente e outros R$ 250 mil sem declaração oficial. O ex-ministro nega ter praticado caixa dois.
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Para tentar amenizar os atritos com o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos desafetos de Mercadante, Dilma realocou o então ministro para a Educação, demitindo o professor de Ética da USP Renato Janine Ribeiro. No novo cargo, o petista foi delatado por Delcídio do Amaral. Ele foi alvo de investigação por tentar obstruir as apurações da Lava Jato e por tráfico de influência. As acusações contra o ex-ministro foram reforçadas em relatório enviado pela Polícia Federal ao Supremo. No documento, a PF sugeriu que Mercadante, Lula e Dilma fossem denunciados criminalmente por obstrução à Justiça.
O crime de tráfico de influência foi imputado ao ex-ministro devido a uma gravação feita por um assessor de Delcídio. Na conversa, Mercadante oferece ajuda ao senador, segundo o assessor, para que o ex-líder do governo não fizesse acordo de delação premiada. Entre outras coisas, o então ministro sugeria que a defesa do ex-petista buscasse alternativas, dentro do próprio Senado, para relaxar a prisão. Mercadante negou, na época, as acusações.
*Com informações do Congresso em Foco
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