Cresce pressão sobre Lula para troca de dois ministros em meio a constrangimento político
Daniela Carneiro, do Turismo, e Waldez Góes, da Integração, vêm trazendo embaraço aos primeiros dias do petista no Planalto.
Redação AM POST*
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou claro para seu ministério, na reunião realizada neste fim de semana, no Palácio do Planalto, que no seu governo não terá espaço nem condescendência com o erro. Conforme enfatizou, “quem fizer errado” será demitido e responderá na Justiça.
“Todo mundo sabe da nossa responsabilidade. Todo mundo sabe que a nossa obrigação é fazer as coisas corretas, é fazer as coisas da melhor forma possível. Quem fizer errado, sabe que tem só um jeito: a pessoa será, simplesmente, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo. E se cometeu algo grave, terá que se colocar diante das investigações e da própria justiça”, anunciou.
O aviso veio depois da descoberta de que a ministra do Turismo, Daniela Carneiro (União Brasil), mantém contato político com ao menos três acusados de chefiar milícias no seu berço eleitoral, Belford Roxo, na Baixada Fluminense (RJ). Mas ela não é a única com problemas na trajetória na vida pública: o titular da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, também indicado pelo União Brasil, foi condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) a seis anos de prisão por peculato.
Lula, porém, amenizou o discurso em seguida, afirmando que não deixará ninguém no “meio da estrada” e que apoiará os ministros nos “momentos bons e ruins”. E acrescentou que entre os integrantes do principal escalão do governo, há técnicos e políticos competentes.
“Estejam certos de que vocês terão em mim, se possível, um irmão mais velho, se possível um pai. Tratarei vocês como uma mãe trata os filhos: com muito respeito e educação e exigindo muito trabalho de cada um de vocês”, avisou.
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Entenda
A gestão de Waldez Góes como governador do Amapá lhe rendeu uma condenação por peculato, em processo ainda em curso, e uma ação por improbidade na qual teve as contas bloqueadas. A seção brasileira da Transparência Internacional fez cobranças públicas ao presidente Lula afirmando que “o padrão ético na formação dos ministérios é vital na promoção da democracia” e que sua nomeação “acende todos os alertas”.
Já a titular do Turismo, Daniela Carneiro tornou-se a protagonista da primeira crise que preocupa o entorno de Lula. Deputada federal e casada com o prefeito de Belford Roxo, Waguinho, ela conta com o apoio declarado de personagens condenados ou acusados de envolvimento com a milícia. Reservadamente, tanto petistas quanto correligionários da ministra já admitem que a permanência dela no governo vai depender da evolução e da gravidade do noticiário.
Em 2018, ano em que se elegeu à Câmara pela primeira vez, Daniela fez campanha ao lado do miliciano Juracy Alves Prudêncio, o Jura, condenado a 22 anos de prisão por homicídio. A ministra nega qual irregularidade e diz contar com a “confiança do presidente” da República. Até aqui, ministros do governo vêm saindo em sua defesa. A sequência de notícias negativas sobre ela,porém, já fez aparecer os primeiros aliados a defender publicamente sua demissão. O deputado eleito pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) declarou que “frente ampla tem limite” e que pode ser caso de revisão da nomeação” segundo o Estado de S.Paulo”.
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Declaração de Transparência
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