TBT: Políticos e poderosos foram flagrados utilizando aeroporto clandestino em Brasília
O aeroporto ilegal, no arredores de Brasília, virou moda entre os poderosos.
Uma denúncia de 2019, mostrou que deputados, senadores, governadores, prefeitos e até magistrados de tribunais superiores faziam uso constante de uma pista clandestina nos arredores de Brasília, que tinha 1.700 metros de extensão e contava com 119 hangares abrigando quase 250 jatinhos luxuosos, que custam em média R$ 20 milhões, tudo à revelia da Força Aérea Brasileira.
A denúncia foi publicada, na época, pela Revista Crusoé, em matéria investigativa assinada pelo repórter Renato Alves, que capturou, em imagens reveladoras e depoimentos assombrosos, como políticos de grande envergadura estão utilizando diariamente a pista clandestina, conhecida como “Aeroporto Botelho”.
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As imagens publicadas mostram o deputado federal Fernando Bezerra Filho (DEM-PE) è o senador Jaques Wagner (PT-BA), respectivamente, momentos antes do embarque e instantes depois do desembarque.
O aeroporto clandestino fica encravado nas terras de uma das antigas olarias utilizadas na década de 1960 para fornecer tijolos e matéria-prima para a construção da nova capital. Está localizado às margens da Rodovia Júlio Garcia (BR 251), no Núcleo Rural Capão Comprido da paupérrima Agrovila São Sebastião.
Um local afastado e bastante adequado para toda e qualquer autoridade que deseja embarcar em jatinhos particulares “na encolha”, sem passar pela fiscalização da Polícia Federal – PF no Aeroporto Internacional Juscelino Kubitscheck – Brasília/DF, ou ser obrigado a pagar os caríssimos impostos e taxas aeroportuárias, como faz o cidadão brasileiro, reles mortal.
“Se no Aeroporto Internacional de Brasília, administrado por uma concessionária, cobram-se tarifas que podem chegar a 30 mil reais por um pouso, por exemplo, sem contar os custos igualmente elevados para usar um dos 22 hangares privados do local, no Aeródromo Botelho, como é chamada a pista clandestina, a conta para os usuários frequentes é mensal e não passa de 5 mil reais. Aqueles que viajam a Brasília apenas eventualmente pagam de 200 a 400 reais pelo pernoite da aeronave. O preço inclui estadia para o piloto. Com a chegada dos clientes vips, alguns hangares se sofisticaram e agora contam com salas de espera com TV, ar-condicionado, sofás, banheiros e cozinha equipada”, diz trecho da reportagem.
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Situação atual
Atualmente, o Aeródromo Planalto Central – conhecido como antigo Aeródromo Botelho – funciona de forma regular. As atividades aéreas e a ocupação do espaço de 81 hectares, que fica a 30 minutos de Brasília, agora têm autorização da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), proprietária reconhecida pela Justiça.
A pista de 1.600 metros de extensão e 23 metros de largura, localizada em São Sebastião (DF), recebe média de 10 voos diários durante a semana. Nas sextas-feiras, nos sábados e nos domingos, o número de operações dobra. Os passageiros que circulam pelos hangares são empresários, deputados, senadores e representantes de emissoras de televisão.
Em 2019, a Terracap fez a primeira etapa da reintegração da área e contratou a Infraero para gerenciar as operações, com revisão da pista quatro vezes ao dia e monitoramento das cercas. Mas ainda não tinha posse total do espaço, já que os hangares ali erguidos ao longo dos anos eram ocupados sem que os usuários pagassem à empresa pública pelo uso do espaço.
Em julho de 2022, após vencer intenso processo judicial, a estatal concretizou a derradeira reintegração. A Terracap fechou acordo com 49 ocupantes dos 113 hangares e dois postos de combustíveis, que agora podem continuar a usar o espaço mediante previsão de pagamento à empresa pública.
Redação AM POST*
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