Brasil tem uma das piores taxas de ensino técnico e de jovens ‘nem-nem’, afirma ranking
As maiores taxas de matrículas na educação profissional estão na Eslovênia (70%) e na Croácia (70%).

Foto: Patricia Monteiro/Bloomberg/Getty Images
O Brasil é o quarto país com menor porcentual de estudantes matriculados na educação profissional, considerando 45 nações analisadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O estudo anual Education at a Glance, divulgado ontem, mostra que a taxa de brasileiros nessa modalidade é de 11%, bem abaixo da média dos países do grupo: 44%. Além disso, o País registra alto índice de jovens entre 18 e 24 anos que nem estudam e nem trabalham, os chamados “nem-nem”: cerca de 24,4% estão nessa situação.
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Segundo o levantamento, considerando a quantidade de alunos no ensino técnico, o Brasil só fica à frente de três países: Índia (9%), Canadá (10%) e África do Sul (10%). As maiores taxas de matrículas na educação profissional estão na Eslovênia (70%) e na Croácia (70%). “Transformações profundas e contínuas estão remodelando a forma como vivemos, aprendemos e trabalhamos.
Isso reforça a importância de competências como resolução de problemas, trabalho em equipe e comunicação, que são fundamentais para a empregabilidade e complementam tanto o ambiente acadêmico quanto habilidades práticas. O ensino e a formação profissionais se tornarão cada vez mais importantes”, diz o documento.
“Essa ideia muito brasileira de não levar tão a sério o ensino técnico profissional ou fazer com que os institutos técnicos ambicionem virar universidades, com todo seu academicismo, é parte dos problemas do País de gerar inserção produtiva dos jovens”, diz a presidente do Instituto Singulares, Claudia Costin.
Mulheres
As taxas de “nem-nem” entre a população de 18 a 24 anos no Brasil são altas especialmente entre mulheres: 30% das entre 18 e 24 anos, comparado a 18,8% entre os homens da mesma idade. O índice entre as brasileiras corresponde a mais do que o dobro da taxa de 14% registrada na média da população feminina dos países da OCDE. “É um resultado da sobrecarga nas mulheres de afazeres domésticos e cuidados, especialmente as que têm filhos até 7 anos e são pobres”, diz a coordenadora de pesquisa e avaliação do Instituto Unibanco, Raquel Souza. “Para assegurar o direito dessa população, precisamos de redes de apoio e a creche é uma delas.”
Estadão Conteúdo

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