Saiba como desmatamento e queimadas influenciam tempo no Norte
Seca deixou 59 municípios do Amazonas em estado de emergência.
- Após chuva no RS, país se prepara para seca na Amazônia -Foto: Reprodução
Notícia do Amazonas – A falta de chuvas intensas na região amazônica está levando a sérias consequências para a biodiversidade, a qualidade do ar e o modo de vida das comunidades locais. A professora da Universidade Federal Rural do Pará e doutora em ecologia, Vania Neu, destaca que eventos climáticos extremos, como os causados pelo fenômeno El Niño, que atualmente é o principal responsável pela falta de chuvas na Região Norte, estão ocorrendo com maior frequência, em intervalos cada vez menores.
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“Vários estudos apontam que os fenômenos que costumavam ocorrer a cada 20 anos agora estão se repetindo com maior frequência. Estima-se que, se não tomarmos cuidado e continuarmos alterando o ambiente, esses eventos podem ocorrer anualmente ou a cada dois anos.”
A pesquisadora ressalta que a ação descontrolada do desmatamento e das queimadas contribuem para a maior frequência de eventos climáticos extremos, o que dificulta a regeneração da floresta amazônica. “À medida que o ambiente fica mais seco, o fogo se torna mais frequente, o que leva à transformação da floresta densa em uma vegetação mais rala, semelhante a savanas ou cerrados. Muitos estudos apontam que, até 2080, a região amazônica poderá enfrentar um cenário muito mais seco.”
Além dos impactos ambientais, a seca afeta diretamente o modo de vida das comunidades locais. Vania aponta que a falta de chuva causa problemas de saúde, como tosse, asma, conjuntivite e alergias, afetando especialmente pessoas com problemas cardiorrespiratórios, podendo levar até à morte. Além disso, a falta de água afeta a alimentação das comunidades, que dependem dos rios para obter comida. Com a seca, as comunidades ficam isoladas, já que na Amazônia, os rios funcionam como as principais vias de transporte.
Atualmente, de acordo com a Defesa Civil no Amazonas, 59 dos 62 municípios estão em estado de emergência devido à seca, afetando 557 mil pessoas na região. A situação ressalta a necessidade de ações para conter o desmatamento e combater as mudanças climáticas, além de buscar soluções para as comunidades afetadas pela seca na Amazônia.
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