Governador do DF, Ibaneis Rocha, diz que tirou ‘soneca’ durante os atos do 8 de janeiro
A troca de mensagens entre Ibaneis e o ex-senador Luiz Estevão aconteceu no final da tarde do 8/01.

Foto: Reprodução
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), disse, em uma troca de mensagens com o empresário e ex-senador Luiz Estevão, que tirou uma “soneca” enquanto manifestantes golpistas invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro deste ano.
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O governador recebeu às 14h23 uma mensagem de áudio do ex-secretário-executivo de Segurança Pública do Distrito Federal Fernando de Souza Oliveira dizendo que, ao meio-dia, “não havia nenhum informe de questão de agressividade” e que “tudo estava de forma ordeira e pacífica”. Minutos antes, os manifestantes radicais haviam quebrado as barreiras de proteção dos prédios públicos.
Conforme a revista Veja, a troca de mensagens entre Ibaneis e Estevão aconteceu no final da tarde do dia 8 de janeiro. Os dois comentam o áudio enviado pelo número 2 da Secretaria de Segurança e o ex-senador afirma que “o áudio é tão tranquilizador que, depois de ouvi-lo, dá para tirar uma soneca”. O governador responde: “Foi o que fiz”.
Após isso, Ibaneis criticou o serviço de inteligência da Polícia Federal (PF) e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Eles agora se colocam como vítima, como se não tivessem nenhuma responsabilidade.”
No mesmo dia das manifestações de 8 de janeiro, Ibaneis foi afastado do cargo por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, o magistrado argumentou que havia “diversos e fortíssimos indícios apontam graves falhas na atuação dos órgãos de segurança pública do Distrito Federal, pelos quais é o responsável direto o governador”.
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O celular do governador foi entregue à Polícia Federal para análise. É a partir desse relatório que constam as mensagens enviadas a Estevão. Ibaneis ficou afastado por 65 dias e retomou o cargo em 16 de março. Moraes autorizou o retorno.

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CPMI
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de Janeiro, apresentado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e a aprovado pelo colegiado, não pede o indiciamento do emedebista, mas afirma que ele agiu com “extrema negligência”. O texto afirma que ele não agiu com dolo.
“Ibaneis Rocha, portanto, tinha pleno conhecimento do risco de atos violentos. Ignorou a situação preocupante que se desvelava no Distrito Federal, mormente com a chegada de inúmeros indivíduos em caravanas, com claro intuito de realizar atos violentos na capital federal”, disse Eliziane Gama no relatório
O governador está incluído no inquérito do STF, que apura a responsabilidade de agentes públicos no 8 de janeiro. O processo é sigiloso e também está sob relatoria de Moraes. Ibaneis não foi denunciado até o momento. As primeiras denúncias e condenações são dos manifestantes que invadiram as sedes dos Três Poderes. Eles têm sido condenados a penas de até 17 anos de prisão.
Estadão Conteúdo

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