Ginástica vive novo momento com pódio formado apenas por negras
Rebeca Andrade afirma que feito inspira novas gerações de atletas.
- Foto: Divulgação
A última edição do Mundial de Ginástica Artística, ocorrido no início de outubro em Antuérpia, na Bélgica, ofereceu um momento único aos amantes do esporte: um pódio completamente formado por mulheres negras na disputa do individual geral, a etapa que coroa as atletas mais completas da modalidade.
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A imagem da norte-americana Simone Biles (vencedora da medalha de ouro), da brasileira Rebeca Andrade (medalha de prata) e da atleta dos Estados Unidos, Shilese Jones (medalha de bronze) celebrando suas conquistas foi emblemática e representativa. Esse momento ressalta a ascensão e visibilidade das mulheres negras no esporte, tornando-as não apenas referências esportivas, mas também ícones inspiradores para inúmeras gerações.
Rebeca Andrade, ao expressar sua satisfação com o pódio composto apenas por mulheres negras, destacou a importância dessa representatividade para as futuras gerações, especialmente para meninas e meninos negros. Ela salientou a inspiração que teve na ex-ginasta brasileira Daiane dos Santos e a relevância de poder influenciar e inspirar outros, consolidando-se como uma referência para essas novas gerações.
Para Thales Vieira, cientista social e co-diretor-executivo do Observatório da Branquitude, a imagem do pódio é um testemunho da resiliência e da excelência dessas atletas, que, apesar dos obstáculos causados pelo racismo, brilham e se destacam no mais alto nível de suas carreiras. Biles e Andrade são citadas como grandes expoentes, com a primeira já sendo considerada a maior ginasta de todos os tempos.
No entanto, as conquistas olímpicas ainda mostram uma disparidade em relação ao ranking de medalhas, onde Biles figura entre as dez mais premiadas, enquanto Andrade ainda não atingiu tal patamar, o que geralmente é liderado por atletas ligadas à antiga União Soviética.
A jornada das ginastas continua, e ainda há mais uma edição de Jogos Olímpicos à frente, proporcionando a oportunidade de ambas alcançarem um lugar de destaque entre as ginastas com mais medalhas nos Jogos. No entanto, independentemente do número de medalhas, Biles e Andrade já são símbolos de uma nova geração de atletas negras que influenciam e inspiram as próximas gerações pelo simples fato de orgulharem-se de quem são.
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“Sou uma mulher negra e tenho orgulho disso. Amo minha pele e me acho linda, maravilhosa. Nunca tive problemas em relação a isso. Sempre fui confiante, graças ao apoio da minha mãe”, afirmou Rebeca Andrade após suas conquistas nos Jogos Pan-Americanos em Santiago, no Chile.
Apesar da visibilidade que vozes como a de Rebeca ganham em grandes eventos esportivos, Thales Vieira salienta a necessidade de um compromisso verdadeiro por parte das confederações, organizações internacionais, atletas e público em geral para verdadeiramente abraçar a diversidade e igualdade no esporte, além de superar desafios que ainda persistem no cenário esportivo atual.
Esse reflexo na ginástica artística ressoa muito além das conquistas esportivas e levanta questões mais amplas sobre representatividade e excelência no esporte.
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