Morte na Papuda: atendimento demorou e faltaram equipamentos, diz relatório
Segundo os detidos, levou 40 minutos para o réu ser atendido.
- Foto: Reprodução
A morte de Cleriston Pereira da Cunha, réu preso na Papuda na última segunda-feira (20), ganha contornos alarmantes após relatos de outros detentos apontarem demora e falta de equipamentos no atendimento ao preso.
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De acordo com o relatório da Defensoria Pública do Distrito Federal, que analisou o ocorrido, detentos testemunharam que o réu levou cerca de 40 minutos para ser atendido após passar mal durante o banho de sol. Durante esse tempo, ele precisou ser reanimado por colegas de prisão, um médico e um dentista, utilizando equipamentos considerados inadequados para a urgência médica.
Os relatos dos detentos indicam que Cleriston já havia solicitado atendimento médico mais de 10 vezes durante seu período na prisão, sendo levado ao “coró” em diversas ocasiões. A falta de estrutura foi evidenciada quando o detento começou a passar mal durante o banho de sol, e não havia desfibrilador nem cilindro de oxigênio disponíveis. Mesmo colegas de cela, sendo um médico e um dentista, tiveram que utilizar recursos improvisados para tentar reanimá-lo.
A situação é agravada pelo fato de que o dia do óbito foi ponto facultativo no Governo do Distrito Federal, resultando em menos servidores no local do que o usual, e o setor de saúde do presídio estava fechado. Além disso, na quinta-feira anterior, as visitas de familiares do sexo masculino foram restritas sem explicação aparente, causando transtornos para aqueles que viajaram para ver seus parentes.
Cleriston Pereira da Cunha, que tinha histórico de diabetes e problemas cardíacos, enfrentava fragilidades desde sua prisão, sendo levado desmaiado e algemado. Os detentos afirmam que ele demorou para receber os medicamentos necessários, desmaiou várias vezes e, por mais de 10 vezes, pediu ou foi atendido para cuidados médicos.
A Defensoria Pública destaca que somente após aproximadamente 40 minutos um atendimento médico mais efetivo chegou, mas, lamentavelmente, Cleriston já havia falecido. O relatório aponta para a urgência de revisão e aprimoramento nas condições de saúde e infraestrutura no sistema prisional, garantindo que situações como essa não se repitam e respeitando os direitos fundamentais dos detentos.
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