Brasil não está preparado para mudanças climáticas, alerta relatório do instituto Talanoa
Mesmo com avanços na redução do desmatamento na Amazônia, país enfrenta desafios em transição energética e agricultura.

Foto: Divulgação
Um relatório do Instituto Talanoa, uma organização civil independente, destaca que o Brasil ainda não está adequadamente preparado para enfrentar as mudanças climáticas. Apesar dos avanços, como a redução de 22% do desmatamento na Amazônia em 2023, o país enfrenta desafios significativos em áreas cruciais, incluindo transição energética e agricultura.
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O documento, intitulado “Política Climática por Inteiro”, foi entregue aos ministros da Fazenda, Fernando Haddad; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva. O relatório destaca que, apesar do progresso no controle do desmatamento, o Brasil ainda tem muito a fazer para cumprir os compromissos climáticos estabelecidos no Acordo de Paris.
De acordo com Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, “o desmatamento é um defeito nacional e precisamos acabar com ele, mas isso não resolve. A gente precisa de uma indústria de baixo carbono, resolver a questão da transição energética e da agricultura, que hoje é o segundo maior setor emissor”.
O relatório identificou 17 avanços firmes, oito iniciais, 15 áreas sem progresso e uma área com retrocesso nas políticas públicas relacionadas às mudanças climáticas em 2023. Entre os avanços destacados estão o aumento das ações de fiscalização ambiental, o crescimento do orçamento autorizado para fiscalização ambiental e a criação do mercado regulado de carbono.
Entretanto, áreas como governança inclusiva e participativa, adaptação da política de saúde pública aos impactos climáticos e consideração de riscos climáticos nos investimentos precisam ser aprimoradas. A presidente do Instituto Talanoa ressaltou a importância de ações transversais envolvendo diversos órgãos do governo para enfrentar as mudanças climáticas.
O relatório também destaca que, mesmo com a tendência de queda do desmatamento na Amazônia, setores como agricultura e energia precisam ser foco de ações para alcançar a descarbonização. A COP28, que ocorrerá entre 30 de novembro e 12 de dezembro em Dubai, será uma oportunidade para avaliar as metas climáticas apresentadas pelos países signatários do Acordo de Paris.
O Brasil, que é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa, presidirá a COP30 em 2025, quando novas metas climáticas devem ser apresentadas por todos os países. O relatório enfatiza a necessidade de uma abordagem que vá além das intenções, exigindo medidas concretas para enfrentar fatores de emissão como petróleo, gás e carvão.
Redação AM POST*
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