Dengue sorotipo 3 é detectada em Pernambuco após 15 anos
No interior de São Paulo, quatro casos do mesmo tipo de dengue também foram confirmados na semana passada.
- Foto: André Lucas Almeida
O estado de Pernambuco enfrenta um novo desafio de saúde com a confirmação de quatro casos de dengue causados pelo sorotipo 3 do vírus (DENV-3), uma variante que não era identificada há mais de 15 anos na região. As amostras foram analisadas pelo Laboratório Central de Saúde Pública de Pernambuco (Lacen-PE) e tiveram a confirmação divulgada pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).
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Os quatro casos foram localizados na cidade de Paulista, situada a aproximadamente 15 km da capital Recife, e todas as amostras pertenciam a pessoas residentes no mesmo endereço. O Laboratório Central destacou que a circulação dos sorotipos já vinha sendo observada nos últimos meses em território nacional.
Além de Pernambuco, o município de Votuporanga, a 520 km da capital de São Paulo, também confirmou quatro casos de dengue causados pelo sorotipo 3 na semana passada. Esses foram os primeiros registros em pelo menos 15 anos no estado, com todas as pacientes sendo mulheres que residiam no mesmo bairro, sem indícios de terem viajado para fora da cidade, indicando uma possível circulação local do DENV-3.
A Secretaria Estadual de Saúde de Santa Catarina também relatou um caso identificado na região da Foz do Rio Itajaí, em um paciente que chegou de outro país.
No Brasil, os sorotipos da dengue são quatro: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A Fiocruz já havia alertado sobre a possibilidade do ressurgimento do sorotipo 3 com mais força, uma vez que não circulava de forma significativa no país há mais de 15 anos. A população, portanto, estaria suscetível a essa variante, pois as últimas infecções ocorreram no início dos anos 2000.
Em resposta a essa situação, Pernambuco antecipou o Plano de Contingência das Arboviroses para o próximo ano.
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É importante destacar que, ao contrário do Chikungunya e Zika, que possuem apenas um sorotipo, pessoas que já foram infectadas por diferentes sorotipos da dengue em circunstâncias anteriores ficam mais vulneráveis a desenvolver a doença de forma mais grave.
Pernambuco já registrou 8.871 casos prováveis de dengue este ano, com 49 casos graves e com sinais de alarme, além de 3 mortes. Em todo o país, foram 1,66 milhão de casos prováveis de dengue no mesmo período, com 24.109 casos graves e com sinais de alarme, resultando em 1.037 óbitos. Este é o segundo ano com o maior número de mortes por dengue na série histórica do Ministério da Saúde.
Vale ressaltar que, enquanto a vacina Qdenga, desenvolvida pela farmacêutica japonesa Takeda, foi aprovada pela Anvisa em março deste ano, o governo brasileiro optou por priorizar uma vacina produzida pelo Instituto Butantan, cuja liberação pode ocorrer apenas em 2025. O imunizante da Takeda ainda aguarda análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS para possível inclusão no Programa Nacional de Imunizações (PNI).
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