Chefões do PCC e CV exigiam do importador armas de ‘calibres poderosos para enfrentamento’
A Polícia Federal interceptou negociações diretas entre investigados e os líderes das duas principais facções criminosas do Brasil.

Foto: Divulgação/Polícia Federal
Em meio às investigações da Operação Dakovo, que visa desbaratar ‘um complexo e multimilionário’ esquema de tráfico internacional de armas, a Polícia Federal interceptou negociações diretas entre investigados e os líderes das duas principais facções criminosas do País, o PCC e o Comando Vermelho. Segundo os investigadores, os chefões das facções encomendavam do grupo sob suspeita armas poderosas, de grosso calibre e letalidade, munidas de rajadas de tiros.
“Tem um diálogo interessante que fala de arma de calibre. O fornecedor oferece calibre 380. O comprador brasileiro fala: ‘Não, aqui no Brasil isso é pouco. Precisamos de calibres mais poderosos para o enfrentamento”, relatou o delegado federal Flávio Márcio Albergaria Silva, superintendente regional da PF na Bahia – base da ofensiva aberta na manhã desta terça, 5.
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Conforme a PF, as transações interceptadas na investigação ocorriam entre os líderes das facções e intermediários do esquema, localizados na fronteira entre o Brasil e o Paraguai.
Os mediadores transportavam os pedidos do PCC e do Comando Vermelho até o principal alvo da Operação Dakovo, o argentino Hernan Dirísio, proprietário da empresa que importou mais de 43 mil pistolas e fuzis de pelo menos quatro países europeus – Turquia, Eslovênia, República Tcheca e Croácia.
Hernan Dirísio é alvo de um mandado de prisão preventiva com fins de extradição. Ele está foragido, sendo procurado no Paraguai. Ele é suspeito de coordenar 30 operações de tráfico internacional de armas, além de participar de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Conforme a PF, o proprietário da importadora de armas situada em Assunção era responsável pela coordenação das operações de compra e venda de armas. O inquérito indica que ele negociava ciente de que as armas estavam sendo destinadas ao crime organizado, abastecendo as principais facções brasileiras, o PCC e o Comando Vermelho.
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Ao longo da investigação, iniciada há três anos, a PF identificou sete camadas da quadrilha, incluindo o nível central da organização. Foram mapeados vendedores, intermediários e doleiros envolvidos no amplo tráfico de armamento pesado destinado ao PCC e ao Comando Vermelho, além dos responsáveis pela logística e pela parte financeira do esquema.
A Polícia Federal aponta dois eixos financeiros ligados à organização: um utilizado pelas facções criminosas para pagar armas ilegais sob encomenda e outro que envolvia o repasse de valores aos fabricantes, realizado pela empresa importadora comandada por Hernan.
Os investigadores narram que a companhia baseada em Assunção utilizava um sistema de lavagem de dinheiro centralizado em Miami. O dinheiro era transferido para empresas fictícias nos Estados Unidos e, posteriormente, outra empresa fictícia realizava os repasses para os fabricantes na Europa.
A PF destacou que a empresa central do esquema de tráfico importa armas há mais de uma década. Inicialmente, seus fornecedores ficavam nos EUA. No entanto, os fabricantes americanos interromperam as vendas ao identificarem que a empresa de Hernan desviava os armamentos para o crime organizado no Brasil.
Devido ao bloqueio, o argentino recorreu a fornecedores na Europa, começando pelos fabricantes da Croácia. Os investigadores revelam que, após a quadrilha entrar na mira da PF, os fornecedores croatas também suspenderam as vendas.
Estadão Conteúdo

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