Crise se agrava e Maduro caça líderes da oposição
Assembleia Nacional aprova, em primeira discussão, projeto de lei para anexar o Essequibo, território guianense rico em petróleo.
- Pedro Rances Mattey
A Assembleia Nacional da Venezuela, de maioria chavista, aprovou de forma unânime e em primeira discussão o projeto de Lei Orgânica para a criação da província do Essequibo, rico em petróleo, atendendo ao apelo do presidente Nicolás Maduro. O mapa exibido por Maduro na terça-feira (5/12) mostrando a incorporação do Essequibo ao território venezuelano gerou reações imediatas e elevou as tensões na região.
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O chanceler venezuelano Yván Gil e o chanceler da Guiana, Hugh Todd, mantiveram “canais de comunicação abertos” após uma conversa telefônica, buscando lidar com as crescentes hostilidades. No entanto, um incidente na noite de quarta-feira (6), com o desaparecimento de um helicóptero do Exército da Guiana perto da fronteira com a Venezuela, adicionou uma nova camada de complexidade às relações já tensas.
Em resposta à escalada das tensões, o Exército brasileiro decidiu ampliar o contingente militar na fronteira com os dois países. O presidente guianense, Irfaan Ali, denunciou uma “ameaça direta” e alertou que levará a crise ao Conselho de Segurança da ONU.
Além das movimentações territoriais, o cenário político interno venezuelano também está agitado. O procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, emitiu ordens de captura contra 13 líderes da oposição, acusados de receber dinheiro de “forças transnacionais” para sabotar o referendo sobre a anexação do Essequibo, realizado no último domingo. Entre os alvos das ordens de captura estão nomes proeminentes, como Juan Guaidó, Leopoldo López e três dos principais assessores de María Corina Machado.
Leopoldo López, um dos alvos das ordens de captura, afirmou que o regime de Maduro está utilizando a perseguição a opositores e a crise diplomática como uma manobra de distração das eleições presidenciais de 2024. López acredita que a situação pode ter implicações sérias, especialmente considerando os Acordos de Barbados, nos quais Maduro comprometeu-se a não realizar mais prisões arbitrárias.
Diante da complexidade da situação, a Casa Branca expressou preocupação e declarou que os Estados Unidos esperam que a disputa entre Venezuela e Guiana não resulte em “violência” ou “conflito”. Analistas políticos destacam a natureza desesperada das ações do regime de Maduro, que busca reanimar sua base eleitoral e criar uma situação de conflito para forçar concessões da Guiana.
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