Essequibo brasileiro: parte do território que a Venezuela quer anexar já foi do Brasil
País foi derrotado em disputa com a Inglaterra, que colonizou a Guiana, no início do século 20. Hoje, Venezuela reivindica território.
- Foto: Reprodução
No último domingo, a Venezuela promoveu um referendo que resultou em uma votação esmagadora, com 95% dos eleitores optando pela incorporação do território de Essequibo, atualmente sob domínio da Guiana. O presidente Nicolás Maduro, ao exibir um mapa já incorporando a região, desencadeou tensões não apenas entre Venezuela e Guiana, mas também reacendeu uma disputa histórica que envolve o Brasil e a Inglaterra.
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No início do século 20, o Brasil enfrentou uma derrota territorial na região do Rio Pirara, hoje parte de Essequibo, em um conflito com a Inglaterra, que colonizou a Guiana. Conhecida como “A Questão do Rio Pirara”, essa perda representou a única vez em que o território brasileiro encolheu após uma arbitragem internacional.
A disputa teve origens no século 17, quando Holanda, França e Inglaterra controlavam diferentes partes da Guiana. A região foi redistribuída após a derrota napoleônica, com a Inglaterra assumindo o controle. No entanto, as fronteiras eram pouco definidas, levando à demarcação proposta pelo explorador britânico Roberto Hermann Schomburgk em 1830.
Schomburgk sugeriu uma linha que invadia o território brasileiro, desafiando a divisão estabelecida no Tratado de Utrecht no início do século 18. A demarcação conhecida como “linha Schomburgk” foi aceita pela Inglaterra, mas o Brasil e a Venezuela contestaram, resultando em arbitragem internacional.
O árbitro desse caso foi o rei da Itália, Vitório Emanuel III, que emitiu uma decisão desfavorável ao Brasil, determinando a incorporação da região do Rio Pirara à Guiana. Esse evento representa a única perda territorial brasileira após uma arbitragem.
A recente decisão venezuelana de incorporar Essequibo reabre antigas feridas, trazendo à tona questões de soberania e fronteiras que, embora tenham sido resolvidas historicamente, continuam a impactar as relações regionais na América do Sul. A comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos dessa decisão e seus possíveis impactos na estabilidade da região.
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