Brasil vai voltar a importar energia elétrica da Venezuela após mais de quatro anos
O acordo foi criticado por não ser equivalente ao anterior, que firmava a compra de energia da hidrelétrica de Guri a menos de R$ 140 por MWh.
- Foto: Reprodução
O Brasil está se preparando para retomar a importação de energia elétrica da Venezuela, após mais de quatro anos de interrupção. Essa medida tem como objetivo reduzir os custos para atendimento dos consumidores em Roraima, um estado que não está conectado à rede elétrica nacional. O Ministério de Minas e Energia e a Âmbar, empresa do grupo J&F habilitada para operar nesse mercado, afirmam que essa importação trará benefícios tanto para os consumidores quanto para o estado. A expectativa é de que o processo seja iniciado em breve.
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Reportagem do jornal Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (11) apontou que os valores previstos para a importação da energia venezuelana agora são muito superiores aos do contrato vigente entre os países até 2019, que ficavam em até 28 dólares/MWh.
Roraima é o único estado brasileiro que não está conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Por isso, essa região depende de geração local de energia para atender sua demanda. Atualmente, essa geração é feita por usinas termelétricas movidas a diesel, que são mais caras e geram um alto custo para os consumidores locais. O preço para abastecer Roraima com energia gerada a partir de óleo diesel chega a 1.700 reais o megawatt-hora (MWh). Com a importação de energia da Venezuela, espera-se que esse custo seja reduzido.
O Brasil interrompeu a importação de energia da Venezuela em março de 2019, no governo Bolsonaro, devido a um agravamento das relações bilaterais entre os dois países. Desde então, os consumidores de Roraima têm sido abastecidos exclusivamente por geração local. Essa situação resultou no uso de usinas termelétricas movidas a diesel, que são mais caras do que a energia importada. Além disso, o combustível utilizado por essas termelétricas é subsidiado pela Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), o que impacta na conta de luz de todos os consumidores. Somente em 2023, o orçamento da CCC atingiu a marca de 12 bilhões de reais.
De acordo com o Ministério de Minas e Energia, o retorno da importação de energia da Venezuela trará uma redução significativa nos custos de geração a óleo diesel para Roraima. A Âmbar, empresa habilitada para operar nesse mercado, afirma que está oferecendo energia a um preço médio 50% menor do que o atualmente pago pelos consumidores. Essa redução nos custos beneficiará tanto os consumidores quanto o estado como um todo.
A Âmbar foi habilitada pelo governo no final de novembro para atuar na importação de energia gerada pela usina hidrelétrica de Guri, na Venezuela. Essa autorização foi concedida pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) e é válida até janeiro de 2024. A expectativa é de que o processo de importação seja iniciado em breve, trazendo alívio para os consumidores de Roraima.
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Além da redução nos custos para os consumidores, a importação de energia da Venezuela trará benefícios econômicos e ambientais para Roraima. Com a utilização de energia gerada a partir de uma fonte mais limpa, haverá uma diminuição nas emissões de gases poluentes. Além disso, a redução nos custos de energia permitirá que empresas e indústrias locais se tornem mais competitivas, contribuindo para o desenvolvimento econômico da região.
Apesar de representar uma economia de R$ 1 bilhão, o acordo foi criticado por não ser equivalente ao anterior, que firmava a compra de energia da hidrelétrica de Guri a menos de R$ 140 por MWh.
Segundo ata de reunião do CMSE que autorizou a importação, os preços para a operação propostos pela empresa são de 1.080,00 reais/MWh para importação de até 30 MW de energia e de 900 reais/MWh para volumes entre 31 e 60 MW.
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