Argentina: Inflação ultrapassa 160% interanual e deve crescer após medidas econômicas de Milei
De janeiro a novembro, o País registrou uma variação de 148,2%, indicando que 2023 pode encerrar com uma taxa próxima de 200%.

Foto: REUTERS/Agustin Marcarian
O governo de Alberto Fernández terminou na Argentina, deixando como legado uma taxa de inflação interanual de 160,9%, sendo novembro o mês com o maior índice, atingindo 12,8%. A taxa, no entanto, tende a aumentar até o final do ano, especialmente após o pacote de medidas econômicas apresentadas na terça-feira, 12, pelo novo presidente Javier Milei, que provocou uma desvalorização de 55% no valor da moeda.
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Os dados mais recentes foram divulgados hoje pelo Indec, o instituto de estatísticas do país. De janeiro a novembro, a Argentina registrou uma variação de 148,2%, indicando que 2023 pode encerrar com uma taxa próxima de 200%, a mais elevada desde o fim da hiperinflação. Durante o anúncio das dez medidas econômicas, o ministro da Economia, Luis Caputo, previu que o índice de dezembro poderia ser de 20% a 30% e alertou que virão meses difíceis para os argentinos.
O setor de Saúde foi o mais impactado, com um aumento de 15,9%, impulsionado pelo aumento nos preços dos medicamentos, decorrente em grande parte da escassez de insumos de produção. Logo em seguida vem os alimentos e as bebidas não alcoólicas, com 15,7%, sendo que os maiores aumentos foram na água mineral, refrigerante, sucos, verduras e frutas. A comunicação vem em seguida, com 15,2%, devido a um aumento nos preços dos serviços de telefonia móvel e de internet.
A taxa não surpreende, pois já era um valor estimado por muitos economistas e consultoras. Os argentinos já sentiam os reflexos no dia a dia nas últimas semanas. Após o segundo turno das eleições presidenciais, o programa Preços Justos, mantido pelo então ministro e candidato Sergio Massa, chegou ao fim de maneira não oficial. O programa mantinha artificialmente os preços dos alimentos mais baixos para suavizar os efeitos da inflação.
O controle de preços chega oficialmente ao fim apenas no fim deste ano, mas desde as eleições os supermercados não recebiam listas atualizadas de controle de preços. Com o fim do Preços Justos, muitos argentinos já perceberam uma piora nos preços, com produtos básicos da alimentação, como o mate, aumentando de 900 pesos para 1200.
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As carnes também vinham aumentando e são previstas para registrar um aumento considerável. Sem o programa, os fornecedores estimam um aumento de 20 a 25% em alimentos como macarrão, farinha, pães e óleos.
Os setores que registaram menores variações em novembro foram moradia, água, eletricidade e combustíveis (7,1%) e Educação (8,3%). Muitos desses são serviços subsidiados pelo governo.
Toda essa situação, no entanto, não reflete os impactos da enorme desvalorização promovida por Milei ontem que promete explodir a inflação ainda mais. A aposta do governo é um plano de choque que implica a eliminação do déficit financeiro do país, ao redor de 5,2% do PIB, por meio de uma redução significativa das despesas e também do aumento dos impostos.
Com as medidas de Milei, a expectativa é de que a Argentina termine o ano com uma inflação próxima de 200%, muito maior do que a última antes da hiperinflação dos anos 1990. Em 1991, ano em que foi aplicada a conversibilidade de Carlos Meném, que equiparou o peso ao dólar, a Argentina registrava uma taxa acumulada do ano de 84%.
Estadão Conteúdo

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