MPF requer que empresa dos EUA suspenda pacotes para pesca em terra indígena na Amazônia
O órgão exige que a Acute Angling não firme novos acordos para exploração turística em terras indígenas no Brasil sem a supervisão das entidades competentes.

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Notícias da Amazônia – O Ministério Público Federal (MPF) emitiu um requerimento para que a empresa americana Acute Angling EUA suspenda as atividades de pesca esportiva na Terra Indígena Ararà, no Amazonas. De acordo com o MPF, a empresa dos Estados Unidos não cumpriu os compromissos estabelecidos no início deste ano para a exploração turística na região e deixou de comparecer em reuniões, caracterizando o que o órgão chamou de uma “completa quebra de boa fé e dos compromissos assumidos perante os indígenas e o MPF”.
O MPF exige que a empresa deixe de comercializar pacotes turísticos relacionados à pesca esportiva na região, cancele os pacotes já vendidos e não firme novos acordos para exploração turística em terras indígenas no Brasil sem a devida supervisão dos órgãos competentes. Procurada pelo Estadão, a empresa disse ter “total interesse em restabelecer a verdade dos fatos” e que irá se pronunciar até quinta-feira, 21.
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A Terra Indígena Ararà, onde ocorria a exploração turística pela empresa, fica no município de Urucará (AM), localizado há mais de 300 quilômetros da capital, Manaus. Segundo o MPF, a Acute Angling comercializa pacotes turísticos para a pesca esportiva do peixe tucunaré no baixo rio Jatapu, em Urucará, e em seus afluentes, sem a devida autorização das comunidades.
O MPF teria estabelecido um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa, a Associação Aymara e líderes da Terra Indígena Ararà, segundo o qual, até 28 de fevereiro de 2023, a Acute Angling deveria sair do território no baixo Jatapú e depositar R$ 600 mil na conta da Associação.
Diante do não cumprimento, o MPF solicitou novas ações da empresa, como a remoção de toda a publicidade relacionada ao rio Jatapú de seu site, o pagamento de US$ 30 mil (aproximadamente R$ 150 mil atuais) à associação indígena, além da apresentação de um novo plano de atuação.
Segundo o órgão, a Acute Angling concordou com as medidas, mas elas não foram cumpridas e após nova reunião em julho, o advogado disse que o posicionamento havia mudado, e que a empresa não estava mais disposta a cooperar com o MPF. O advogado da empresa ainda teria solicitado uma reunião com o MPF para esclarecer o novo posicionamento, mas não compareceu na data combinada.
O pedido do MPF é para que todas as atividades de exploração turística praticadas pela empresa nessa região sejam suspensas até que a pesca seja devidamente autorizada pelos órgãos públicos responsáveis, como a Funai e o Ibama.
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Por se tratar de uma Terra Indígena, órgãos públicos e empresas privadas, incluindo pessoas físicas, devem respeitar as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garantem aos povos indígenas o direito de serem consultados sobre atividades que possam afetar seus bens ou direitos.
Empresa descumpre outros acordos
Segundo o MPF, há indícios de que a mesma empresa vem descumprindo outros acordos, “causando problemas no Amazonas e em outros estados”. Segundo matéria do G1, em setembro de 2022, o MPF ajuizou ação na Justiça Federal em Santarém, oeste do Pará, obrigando a empresa a indenizar moradores da Terra Indígena Nhamundá-Mapuera em R$ 3 milhões, pela prática de turismo ilegal na região.
Segundo a matéria, empresários cobravam até R$ 36 mil por pessoa para expedições de pesca na terra indígena.
A recomendação do MPF foi publicada na última quinta-feira, 14, e dá 15 dias para que a empresa e se manifeste, bem como suspenda a venda de pacotes turísticos relacionados à pesca esportiva na região e suspenda os pacotes já vendidos.
Pelo site da empresa, são oferecidos pacotes que incluem traslados em pequenos aviões para áreas mais remotas da floresta Amazônica, além de barcos individuais para servirem de base ou acampamento para os clientes, lanchas e barcos de até três andares.
Estadão Conteúdo

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