Milei chama diz que políticos que criticam ‘megadecreto’ são idiotas
Decreto já entrou em vigor, mas pode ser derrubado caso haja rejeição na Câmara e no Senado

Foto: Tomas Cuesta/Getty Images
O presidente argentino, Javier Milei, rejeitou a possibilidade de negociar com legisladores o decreto e o amplo projeto de lei anunciados em dezembro passado para desregulamentar vários setores da economia do país. Ele chamou os políticos que desejam dividir os textos para discussões legislativas de “idiotas úteis”.
“Não negociamos nada”, afirmou o chefe de Estado no domingo (7) ao ser questionado pela Rádio Mitre sobre a disposição de debater a fragmentação do Decreto de Necessidade e Urgência (DNU), que revoga ou modifica mais de 300 leis.
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Apesar disso, Milei declarou que seu governo considerará “sugestões para aprimorar” o texto.
O amplo projeto de lei será avaliado a partir desta terça-feira (9) por comissões de deputados. O decreto, por outro lado, já está em vigor, mas pode ser revogado se for rejeitado pela Câmara e pelo Senado.
O texto é contestado por forças políticas tradicionais do país, como a União Cívica Radical (UCR), que argumentou que a medida “atinge a institucionalidade democrática”.
A vice-presidente do Senado, Carolina Losada, que faz parte da UCR e da aliança macrista Juntos pela Mudança, destacou em uma entrevista a uma rádio local que seu bloco está disposto a apoiar reformas no decreto, mas que certos aspectos precisam ser revisados e discutidos.
Ela lamentou, no entanto, a dificuldade de diálogo com o governo.
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Durante a entrevista, Milei acusou novamente os legisladores de buscar subornos com a negociação das leis do decreto e do amplo projeto enviado ao Congresso. “Por que querem fazer isso [fragmentar e discutir o decreto]? Porque querem receber propina com isso”, argumentou.
“Para outros governos que se dedicaram a nos tirar liberdade e colocar a mão no nosso bolso, não houve resistência alguma da casta política. Agora, nesse caso, em que estamos propondo uma estrutura pró-mercado, eliminando muitos vícios da política, se queixam (…) E há outros, os idiotas úteis, que colocam o foco na forma, quando é parte da dinâmica”, ressaltou.
Segundo o presidente, a magnitude do ajuste proposto pelo governo exige “uma rápida resposta de investimento para que o dano em termos de atividade, emprego, pobres e indigentes seja o menor possível”.
Mais cedo, em entrevista para a mesma rádio, o ministro do Interior da Argentina, Guillermo Francos, pediu ao Legislativo que não demore na votação do amplo projeto de lei.
“Não temos tempo. Se demorar um ano inteiro para discutir uma lei, não entra mais nem um peso na Argentina, ninguém vai investir no país. E temos tanta necessidade de investimento e tanta necessidade de entrada de divisas no país, porque senão tudo para”, comentou.
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