Após um ano, privatização de Refinaria em Manaus resulta em aumento drástico de preços de combustíveis
A gasolina foi vendida 6,7% mais cara do que sob a gestão estatal, enquanto o diesel teve um aumento de 8,1%.
Notícia de Manaus – Em um desdobramento controverso, a Refinaria Isaac Sabbá (Reman), localizada na região Norte do Brasil, foi privatizada em 1º de dezembro de 2022, passando das mãos da Petrobras para a gestão da ATEM, que a renomeou como REAM. Esta mudança faz parte do plano da Petrobras de desinvestir e descentralizar o mercado de combustíveis, com o compromisso de vender parte do parque de refino para o setor privado, conforme acordado com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
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No entanto, um ano após a privatização, os resultados práticos dessa medida mostraram-se desastrosos para o consumidor final, sendo considerada a pior privatização realizada pela Petrobras até o momento.
A REAM, única refinaria na região Norte, tornou-se um ponto focal de preocupação. Em vez de promover a concorrência no mercado, como argumentado pelo CADE, a privatização efetivamente criou um monopólio regional. Isso ocorre porque, para competir com a REAM, a alternativa seria importar ou trazer produtos de outras regiões do Brasil, o que se mostra inviável dada a desproporção entre a produção da Petrobras e o consumo nessas regiões.
Desde o início da operação privada da REAM, os preços de gasolina e diesel subiram significativamente. A gasolina foi vendida 6,7% mais cara do que sob a gestão estatal, enquanto o diesel teve um aumento de 8,1%. A diferença de preços agora ultrapassa inclusive o custo de importação desses produtos, tornando mais econômico trazê-los do exterior.
A maior distorção de preços foi observada no gás de cozinha (GLP). O GLP da REAM ficou, em média, 41% mais caro do que o vendido pela Petrobras, atingindo uma diferença alarmante de 72% ao longo de novembro de 2023. Essa disparidade é especialmente preocupante, uma vez que, em 2022, o alto preço do GLP levou o Brasil ao maior consumo de lenha dos últimos 13 anos.
O monopólio privado regional da REAM na região Norte, caracterizada por uma estrutura logística complexa, inevitavelmente resultou em aumentos de preços prejudiciais para a população local. Nesse contexto, a chamada para reestatização da refinaria ganha força, uma vez que a privatização não só falhou em cumprir suas promessas, mas também impôs à população local preços mais elevados do que em outras regiões do país. A necessidade urgente de reavaliar essa privatização torna-se evidente, pois a continuidade desse cenário desafia os interesses e o bem-estar da população da região Norte.
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