Homem é preso com moto clonada durante velório de supostos membros do PCC
Conhecido como “Xeque-Mate”, o suspeito vestia uma camiseta branca com a foto de um dos mortos estampada nas costas.

Foto: PM 2º BAEP/Divulgação
Um homem foi preso quando saía do velório de três supostos integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) mortos em tiroteio com a polícia, em São Vicente, no litoral sul de São Paulo. Ele pilotava uma moto furtada e com a placa clonada, conforme denúncia apresentada à Polícia Civil. José Wilson do Nascimento Alcântara, de 26 anos, conhecido como “Xeque-Mate”, usava uma camiseta com a imagem de uma das vítimas do tiroteio que, segundo a polícia, seria membro da facção criminosa.
A abordagem ao suspeito ocorreu na última sexta-feira, 26, na esquina das ruas Frei Gaspar e Guarani, no Parque São Vicente. As autoridades monitoravam o local onde era realizado o velório das vítimas e o percurso que o caixão seguiria até o cemitério de São Vicente, buscando possíveis suspeitos de crimes.
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“Xeque-Mate” vestia uma camiseta branca com a foto de um dos mortos, Caio Eduardo Viana Santos, o “Drone”, estampada nas costas. Havia também uma frase enaltecendo o falecido, com os dizeres: “Por onde você passou fez história e deixou seu legado. Como dizia você, morre (sic) como homem é o preço da guerra, guerra que não tem fim! Missão concluída, Drone. Descanse em paz, Caio Eduardo Viana dos Santos”, diz a mensagem.
Havia ainda a frase: “Sofremos com a covardia, mas não cometemos ela (sic). #Paznasfavelas”. O conteúdo da camiseta chamou a atenção dos policiais e “Xeque-Mate” foi abordado.
Ao verificar a placa da motocicleta, os policiais constataram que o veículo estava registrado em Orlândia, cidade do norte paulista, a 430 quilômetros do litoral. Desconfiada, a equipe entrou em contato com a PM de Orlândia, que foi à residência da proprietária da moto, localizada através do registro no departamento estadual de trânsito. Os policiais verificaram que a moto, uma Honda Biz 125, estava estacionada em frente à residência naquele momento.
Segundo a polícia, a moto clonada em São Vicente havia sido roubada em 21 de janeiro, porém, “Xeque Mate” negou o delito e afirmou que tinha comprado o veículo. O suspeito foi conduzido ao 2 º Distrito Policial de São Vicente e autuado em flagrante por receptação e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. A reportagem solicitou cópia do auto de prisão em flagrante e aguarda retorno.
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Confronto em favela
O tiroteio que resultou na morte de “Drone” e de outros dois suspeitos aconteceu na quarta-feira, 24, no Dique do Piçarro, uma das maiores favelas de São Vicente. No registro do caso, os policiais militares disseram que realizavam uma incursão na comunidade para checar denúncias de tráfico de drogas.
Com a chegada da polícia, cerca de dez pessoas fugiram, mas o suspeito, armado de uma pistola Glock calibre 9 milímetros, teria enfrentado os policiais a tiros. Outros dois supostos cúmplices também teriam atirado contra as viaturas policiais, tendo sido baleados no suposto confronto. Os outros dois homens, de 24 e 30 anos, também portavam armas – uma pistola e um revólver -, segundo a polícia.
Os três homens atingidos pelos tiros foram levados para o Pronto Socorro Central de São Vicente, mas não resistiram à gravidade dos ferimentos. Os policiais apresentaram à Polícia Civil porções de drogas e as três pistolas usadas pelos suspeitos, além de dois radiotransmissores, quatro celulares e duas balanças. As armas da Polícia Militar usadas na ação foram recolhidas para perícia.
Conforme a Secretaria da Segurança Pública, o caso foi registrado como mortes decorrentes de intervenção policial, resistência, legítima defesa e tentativa de homicídio. A Polícia Civil vai investigar as circunstâncias das mortes.
A reportagem entrou em contato com a defesa de José Wilson Alcântara, o “Xeque-Mate”, e aguarda retorno. O Estadão tentou e não conseguiu contato com familiares de Caio Eduardo Viana dos Santos, o “Drone”.
Estadão Conteúdo

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