O principal diretório do Partido dos Trabalhadores (PT) em São Paulo, estado ao qual o ex-presidente Lula está filiado, enfrenta uma situação financeira delicada, com verbas do fundo partidário e doações privadas bloqueadas e dívidas acumuladas. Em meio a ações judiciais milionárias movidas por credores nos últimos anos, o PT-SP declarou estar em uma “situação de miserabilidade econômica”, com seu patrimônio sem liquidez.
A crise financeira do PT-SP resultou em bloqueio de valores na conta bancária do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, no final do ano passado. O diretório também assumiu uma dívida da campanha de 2014 de Padilha ao governo de São Paulo, mas não conseguiu honrar o compromisso, evidenciando uma inadimplência recorrente. Outros membros do partido, como o deputado federal Arlindo Chinaglia e o ex-deputado Vicente Candido, também foram alvo de penhoras devido a dívidas não pagas pelo diretório.
O PT-SP, que mantém quatro ministros no governo, foi procurado para comentar sobre a situação financeira, mas não respondeu diretamente às questões levantadas. Alegou apenas que “cumpre decisões da Justiça Comum e Eleitoral” e que todas as informações referentes aos seus ativos e passivos estão disponíveis nos canais oficiais da Justiça Eleitoral.
As dificuldades financeiras do diretório remontam a junho de 2018, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerou o PT-SP culpado por não declarar R$ 1,7 milhão gasto com candidaturas na eleição de 2016. Essa condenação resultou no bloqueio de 50% do valor das cotas do fundo partidário destinadas ao PT-SP pelo diretório nacional. Essa punição permanece em vigor até 28 de fevereiro de 2026.
O estatuto do PT estipula que a distribuição do fundo partidário para os estados deve respeitar a proporcionalidade dos delegados que representaram os diretórios no Congresso Nacional mais recente do partido. O PT-SP, sendo o maior diretório da legenda, recebe cerca de 13,62% do total destinado aos estados, o que representa aproximadamente R$ 395 mil por mês. No entanto, devido aos bloqueios impostos pela Justiça Eleitoral e outras decisões judiciais, o diretório tem enfrentado sérias dificuldades financeiras, incluindo a penhora de doações privadas destinadas à sigla.
Além disso, o PT-SP possui uma dívida ativa de R$ 2,8 milhões com a União, referente a obrigações tributárias previdenciárias. O diretório aderiu a um programa de renegociação de débitos tributários, mas isso acarreta uma despesa mensal de R$ 21 mil.
A crise financeira do PT-SP parece longe de ser resolvida, com novos bloqueios de recursos do fundo partidário previstos após a conclusão de penalidades relacionadas a eleições anteriores. O diretório enfrenta um cenário desafiador, com cobranças judiciais significativas e uma situação financeira instável que impacta suas atividades políticas.